sábado, 7 de novembro de 2009

ATOPIA CANINA: Abordagem integralista

A dermatite atópica (DA), também chamada de atopia, é uma enfermidade de pele muito comum nos dias de hoje e que se apresenta cada vez mais freqüente no dia a dia das clínicas veterinárias que atendem pequenos animais.


A queixa principal é sempre o PRURIDO e consequentemente surgem as lesões de pele resultantes do auto traumatismo e infecções secundárias por bactérias e fungos. Estas lesões secundárias podem apresentar-se sob a forma de crostas, alopecia (ausência ou rarefação de pelos), lignificação (pele rachada e aparentemente espessada, sem pelos) e hiperpigmentação (pele escura, preta mesmo). As áreas mais afetadas são a face, principalmente ao redor dos olhos e boca, as patas ( principalmente nas extremidades e entre os dedos), região abdominal ventral, inguinal, axilar, face flexora da articulação do tarso e face extensora da articulação do carpo, pina (extremidade das orelhas), canal auricular externo(ouvido), genitália feminina e ânus.




Quando a pina e o canal externo encontram-se afetados, a otite externa surge normalmente como sua complicação. Há relatos de que mais de 80% dos animais com DA apresentam otites. Infecções secundárias com leveduras e bactérias são freqüentemente encontradas nestas otites.

O DIAGNÓSTICO
A suspeita se baseia na localização das lesões e pela exclusão das demais dermatopatias alérgicas, parasitárias, hormonais e nutricionais. Não há exames laboratoriais que confirmem o diagnóstico de atopia.

Algumas raças apresentam predisposição genética para apresentar a DA, como goldens, labradores, pastores alemães, weast highland terriers, e as pequenas raças como shitzu, maltês, lhasas e poodles, sendo estas últimas quatro as que mais atendo no meu consultório com quadros de atopia, mas qualquer raça pode ser afetada, inclusive os sem raça definida. Fêmeas parecem ser mais afetadas que machos (60 e 40% respectivamente). A faixa etária mais afetada está entre 1 e 3 anos (mais de 60% dos casos), seguida por geriátricos (acima de 7 anos) e pediátricos (até nove meses de vida).

O diagnóstico da dermatite atópica esta relacionado aos antecedentes do paciente (dermatites e otites recidivantes que respondem a terapia com corticóides); sinais clínicos como prurido e vermelhidão da pele, afetando os ouvidos, o focinho, os olhos, as superfícies flexoras, as patas e a parte ventral do organismo animal; diagnóstico diferencial com outras patologias de pele como sarna sarcóptica, sarna demodécica, malaceziose disseminada e outras; falta de resposta a dietas de eliminação hipoalergênicas de duração mínima de 6 semanas, que utilizam uma proteína nova na alimentação. Não costumo indicar provas de alergia para estabelecer um diagnóstico, já que de 10 a 20% dos cães clinicamente atópicos apresentarão provas sorológicas e intradérmicas negativas, além do que o teste de sensibilidade tem um custo altíssimo para a maioria dos cuidadores.



A dermatite atópica é uma enfermidade multifatorial da qual fazem parte tanto componentes alérgicos, como defeitos na barreira cutânea, infecções microbianas e outros fatores exacerbantes (agravantes).
Vejamos alguns dos possíveis fatores exacerbantes:

Ectoparasitas – As pulgas e os carrapatos podem ser uma complicação nos casos de DA, assim como a sarna sarcóptica, e a sarna demodécica, estando esta última associada a imunosupressão.

Infecções bacterianas e por leveduras – são freqüentemente responsabilizadas pelos quadros de dermatites, mas na verdade podem ser uma conseqüência do quadro atópico ou simplesmente cursarem conjuntamente com o quadro. A imunosupressão ( ou baixa da imunidade) pode favorecer o surgimento de infecções por malassezia e stafilococos concomitantes ao quadro de DA.

Estresse – é uma sobrecarga sobre os sistemas de controle e adaptação do indivíduo e que podem precipitar ou exacerbar sinais clínicos dermatológicos.
Alguns exemplos de estresse ambiental e social: estimulação mental inadequada, exercícios inadequados, interação inadequada com a família e outros animais, acesso limitado a fontes essenciais (comida, água, abrigo), isolamento social, conflitos de status, conflitos relacionados a território, adição ou perda de membros da família, alteração de saúde de um ou mais membros da família, alteração da rotina diária, casa ou ambiente novo, alteração do ambiente físico, viagem, hospitalização, etc.
“O ESTRESSE PSICOLÓGICO É MAIS EFICAZ QUE O FÍSICO PARA BAIXAR AS DEFESAS IMUNOLÓGICAS CUTÂNEAS.”

Efeitos ambientais – extremos de temperatura e humidade, superfícies irritantes ou abrasivas, etc.




REVITALIZANDO A BARREIRA CUTÂNEA
Cães atópicos apresentam defeitos na barreira cutânea, especialmente no cemento celular, que é formado por lipídeos (gorduras),principalmente por ceramidas. As células e os espaços lipídicos intercelulares são os componentes principais desta barreira e quando há uma desestruturação desta barreira o resultado é a perda de água, uma maior penetração de antígenos e produtos químicos, e um aumento da aderência de estafilococus à superfície dos corneócitos (células superficiais da pele).


No esquema acima: barreira epidérmica desestruturada à esquerda e íntegra à direita.

A nutrição contribui para melhorar a produção de ceramidas e, desta forma, fortalecer a função da barreira da pele. Mediante o uso de nutrientes adequados, que atuam sobre a resposta inflamatória, como ácidos graxos poliinsaturados Omega 3 e os que atuam sobre a resposta imunitária, como os probióticos, verifica-se a melhora estrutural da barreira cutânea e uma diminuição e até o controle dos sinais clínicos da atopia, como escamação, prurido e inflamação da pele. A prevenção e o controle das hipersensibilidades alimentares, com a utilização de dietas hipoalergênicas e alimentos de alta digestibilidade, também apresentam grande valor no tratamento e prevenção da atopia.
Os nutrientes que se consideram importantes para a melhoria da função da barreira cutânea são:
- zinco: como redutor da inflamação
- Ômega 3 : redução da inflamação
- Algumas vitaminas do complexo B(Inositol, colina, pantotenato, nicotinamida ) e o aminoácido histidina: atuam sobre a síntese da barreira lipídica epidérmica.
- Aloe Vera e curcumina – promovem o aumento dos fibroblastos (uma das células constituintes do tecido conjuntivo entre as células); a síntese de proteoglicanos ( que atraem água pra os tecidos); da produção de TGF (proteína que controla a proliferação celular); e redução da inflamação.



E A ALIMENTAÇÃO?
Outro importante passo no tratamento da atopia é, ao meu ver, a alteração alimentar para dieta caseira, que faz parte do meu protocolo de tratamento em várias patologias. A não utilização de aditivos alimentares como conservantes, corantes, aromatizantes, e outras dezenas de "antes" acrescidos aos alimentos industrializados, por si só já ameniza os sintomas de prurido e vermelhidão na pele, observados na minha prática clínica. Cada indivíduo deve ter o seu cardápio adaptado as necessidades individuais, baseados em atividade, condição corpórea, patologias que cursam concomitantes, rotina do proprietário, etc.

A terapia tópica (local), deve visar efeitos hidratantes ( que conduzem água para a pele, p.ex. proteínas do leite), emolientes (que retêm a água na pele, p.ex. óleo de semente de uva), umectantes (que atraem água para a pele, p.ex. algas marinhas); reparadores ( ceratina hidrolizada p.ex.); e vitaminas ( E ), seja na forma de xampus, cremes, loções ou gel.



Os proprietários de animais atópicos devem estar cientes de que, provavelmente, terão que controlar a atopia de seus animais por toda a vida deles e que haverá períodos piores e melhores no decorrer de suas vidas. Portanto, optar por terapêuticas com o mínimo de efeitos colaterais e que visem o controle dos fatores ambientais e psicobiológicos, seria o caminho para melhorar a qualidade de vida dos nossos pets. Dentro da proposta integralista em saúde, devemos valorizar a educação do cuidador no controle de alergenos de ácaros, de aeroalergenos e trofoalergenos (presentes em alimentos), no controle de doenças psicogênicas e psicossomáticas, no controle alimentar e nas suplementações com nutracêuticos adequados, que são alimentos ou parte deles que tem a capacidade de proporcionar benefícios a saúde.

Com relação ao tratamento homeopático, como vivo insistindo em todas as minhas postagens, deve-se ter em mente que não existem fórmulas mágicas que servem para todos os animais com a doença. A abordagem individual deve ser o foco do homeopata para que o indivíduo se estabilize e para que possamos controlar os episódios que surgirão com maior ou menor intensidade, na dependência de fatores desencadeantes e exacerbantes, intrínsecos e extrínsicos ao indivíduo, mas que só a ele pertencem. Tratamos doentes e não doenças. Quando recebemos, em nossos consultórios homeopáticos, animais que já vem sendo medicados por muito tempo com terapias do tipo supressoras, como corticóides, antihistamínicos, quimioterápicos, imunomoduladores, etc., devemos orientá-los no sentido de que poderão ocorrer agravações no início da terapia homeopática e de que o tempo que necessitamos para estabilizar o animal é maior quão maior foi o tempo em que se utilizaram tais medicações. Não é um tratamento simples e em muitos casos bastante demorado. Necessita da cumplicidade e confiança do proprietários, que deve ser muito observador e colaborativo, não faltar aos retornos para avaliação e medicar adequadamente.



Neste texto não abordei os tratamentos convencionais alopáticos por haver extensa bibliografia sobre o assunto em diversos sites da internet e também, porque não acredito nessas terapêuticas que na minha prática clínica alopática, por 18 anos, simplesmente não vi resultados que valessem a pena, em troca de tantos efeitos colaterais decorrentes delas.

Referências Bibliográficas:

Muller, R.S. Diagnosis and treatment of canine atopic dermatitis
Ralf S. Mueller DipACVD, DipECVD, FACVSc
Proceedings of the 33rd World Small Animal Veterinary Congress 2008 - Dublin, Ireland. Disponível em: http://www.ivis.org

Nuttall,T. Tratamiento de la dermatitis atópica
Veterinary Focus / / Vol 18 No 1 / / 2008
Disponível em: http://www.ivis.org

Prelaud, P., Harvey, R. Dermatología canina y nutrición clínica
Enciclopedia de la nutrición clínica canina – Royal Canin
Disponível em: http://www.ivis.org

Farias, M.R. Síndrome Dermatite Atópica Canina: consenso.
Disponível em :
http://www.sovergs.com.br/palestras/Dr_Marconi_de_Farias_Sindrome_Dermatite_Atopica_Canina_consenso.pdf

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

GERIATRIA VETERINÁRIA : o que se deve considerar...




A VELHICE DE CÃES E GATOS

Quando o organismo reduz progressivamente suas habilidades, afetando gradativamente diversos órgãos e sistemas orgânicos, é sinal de que os nossos amigos estão envelhecendo. E quando isso acontece? Existem diferenças individuais, familiares e raciais no processo de envelhecimento, mas geralmente podemos considerá-los pacientes geriátricos quando:
1- raças pequenas, com menos de 10 kg, atingem de 9 a 13 anos de idade
2- raças médias, que apresentam de 10 a 15 kg, atingem de 9 a 11 anos de idade
3- raças grandes, que apresentam de 25 a 45 kg, atingem de 7,5 a 10,5 anos de idade
4- raças gigantes, que apresentam mais de 45 kg, atingem de 8 a 10 anos de idade

Gatos vivem em média 12 anos e podemos considerá-los idosos à partir de 7-8 anos de idade.



No geral, além do pequeno porte, os mascotes que não saem a rua, que são castrados e de raças mestiças, têm maior longevidade ( vivem mais tempo). Apenas 13% dos cães de raças grandes atingem 10 anos de idade, ao passo que 37% dos de raças pequenas chegam a esta idade. Já os animais de raças gigantes, tem uma expectativa de vida de apenas 6,5 anos em média.


E como se dá o processo de envelhecimento?
De forma gradativa e silenciosa. As alterações atingem vários sistemas ao mesmo tempo: o sistema imunológico vai ficando confuso e ineficiente, o metabolismo já não é mais o mesmo, o sistema músculo esquelético vai se modificando (como nos humanos há diminuição da massa e força muscular e aumento do depósito de gorduras), há um desgaste articular importante (mais evidente e comum em animais obesos e sedentários), os ossos estão mais frágeis, os dentes já sofreram desgastes e houve perdas importantes de dentes, as secreções de enzimas, hormônios e outras substâncias importantes para o bom funcionamento orgânico já não são tão eficazes como antes e assim há alterações em vários sistemas orgânicos. Com o avanço dos anos tanto os rins quanto o coração e os pulmões diminuem sua eficiência natural e alguns sinais sutis como aumento ou diminuição na ingestão de água e da quantidade e freqüência urinária, cansaço e tosse após exercícios podem sinalizar alterações nesses sistemas. Com relação a atividade e interesse, a maior parte do tempo que antes era utilizado para brincar e explorar o ambiente, agora é preenchido com o sono ou dormitação. A diminuição da acuidade visual, da audição e do interesse no ambiente, também vai acontecendo gradativamente.

O que vem a ser Disfunção Cognitiva (DC)?
Quando o cão passa a ter dificuldades em reconhecer pessoas , lugares e objetos, apresenta diminuição da memória e capacidade de atenção, regressão no aprendizado adquirido (como defecar e urinar em locais impróprios), problemas de orientação espacial (tem sede e não encontra o local do seu bebedouro, p.ex.), alterações no ciclo de sono e vigília (dorme muito durante o dia e acorda muito ou fica agitado a noite, p.ex.), ele pode estar apresentando uma Disfunção Cognitiva, muito semelhante a Doença de Alzheimer dos humanos. As lesões pós mortem, tanto em animais quanto em humanos, são muito semelhantes e as pesquisas apontam como causas prováveis, a deposição de uma proteína beta-amilóide no córtex cérebral e no hipocampo, inibindo a transmissão de sinais cognitivos entre os neurônios. Também existem evidências de um aumento na atividade da enzima MAO, responsável pela degradação da dopamina, favorecendo o acúmulo de radicais livres e desta forma interferindo na transmissão do impulso nervoso e facilitando a formação das tais placas amilóides. O aumento funcional do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal também vem sendo potencialmente responsabilizado pelo quadro.
As alterações comportamentais, neste caso, não estão associadas a doenças propriamente ditas, e sim a cognição (memória, aprendizado, percepção e entendimento). Agressividade, comportamentos compulsivos( como andar em círculos, uivar ou chorar ou gemer em excesso) e diminuição na interação com a família, são achados comuns nos portadores desta disfunção.



Alguns sinais referentes ao DC:
1- O animal idoso apresenta uma desorientação espacial, com dificuldade em transpor obstáculos que antes fazia com desenvoltura, como por exemplo passar entre o sofá e a mesinha ou encontrar a saída para a rua. Também podem manifestar que algo anda errado quando simplesmente apóiam a cabeça contra uma parede ou ficam olhando fixamente para o nada.
2- Podem esquecer que comeram e querem comer de novo e de novo....
3- Apresentam agitações noturnas, acordando seus donos para comer, passear ou mesmo somente para ter atenção, no meio da noite. Também há animais que passam a chorar, gemer ou uivar mais durante a noite.
4- Passam a não cumprimentar ou mesmo não reconhecer seus velhos companheiros humanos ou não, e mesmo demonstrar agressividade onde antes eram só demonstrações de amor e admiração.
5- Dormem por muito mais tempo, não têm interesse em brincadeiras ou passeios que antes os encantavam.
6- Retrocessos no processo de aprendizagem, com deposições inadequadas (fezes e urina em locais inapropriados) e alterações no padrão de higiene (gatos que não se lambem mais, cães que se deitam em locais sujos).



Estes sinais podem ser confundidos, pelo cuidador, com o processo de envelhecimento normal, e desta forma ser considerado como inevitável, mas no caso do DC, após o surgimento dos primeiros sintomas, há uma perda progressiva de todas as funções orgânicas com uma sobrevida de 18 a 24 meses, sendo um motivo comum da escolha da eutanásia. É importante ressaltar que a DC é considerada uma doença específica e já existem mecanismos terapêuticos estabelecidos para retardar e controlar a evolução do processo degenerativo causado pela doença e desta forma melhorar a qualidade de vida do animal afetado. Cerca de 60% dos animais com mais de 11 anos de idade e 86% dos cães com 15-16 anos apresentam sinais de DC. Fêmeas parecem ser mais afetadas que os machos.

TRATAMENTOS DISPONÍVEIS
O Ldeprenil é o medicamento mais utilizado na medicina convencional. Sua atuação se dá bloqueando a MAO (monoamino-oxidase) cuja função é degradar a dopamina (neurotransmissor) e desta forma aumentando a concentração de dopamina e diminuindo a produção de radicais livres. Esta medicação não deve ser utilizada junto com antidepressivos ou com amitrazinas. Há estudos que avaliam a melhora dos cães em 75%nos parâmetros avaliados. A taxa de efeitos colaterais (diarréia, vômito e desorientação) fica entre 20-25%. A droga deve ser utilizada por toda a vida do animal e o seu custo fica em torno de US$150 dólares mensais.

Já uma abordagem mais integralista, requer a utilização de substâncias anti-oxidantes naturais (ômega 3,vitamina E, poliferóis e selênio dentre outros), suplementação com colina (na prevenção e tratamento do distúrbio) e alimentação caseira balanceada, conforme os requerimentos da doença.

Os antioxidantes estão disponíveis em vários alimentos que podem ser oferecidos no dia a dia, como aveia, tomates cozidos, azeite de oliva, óleo de peixe, óleo de borragem, castanha do pará, chá verde em cápsulas, linhaça, girassol, repolho roxo, uva escura, morango, maçã, brócolis, espinafre, alecrim, orégano, açaí, abóbora, etc.

A utilização de um complexo vitamínico composto por colina, fosfatidilcolina, metionina e inositol associados a outras vitaminas do complexo B é defendida pelo Dr.Shawn Messonier, veterinário americano que avaliou os resultados desta terapêutica em 19 cães e 21 gatos com melhoria de sintomas em aproximadamente 75% dos animais avaliados. Ele ainda relata que em sua experiência clínica, a utilização deste suplemento vitamínico além de reverter sinais e sintomas da doença já estabelecida, quando utilizado antes do aparecimento dos sinais clínicos da doença, demonstra segurança e efetividade significativas na prevenção da disfunção cognitiva.
Além da suplementação através de complexos vitamínicos contendo estes componentes, uma alimentação rica nestes é muito bem vinda. São fontes de colina: gema de ovo, farinha de aveia, couve-flôr, couve, repolho fígado e lecitina de soja. A fosfatidilcolina, também conhecida como lecitina, apresenta como principais fontes o fígado, gema de ovo, soja, amendoim, espinafre e trigo. Já a metionina pode ser encontrada na quinoa, lecitina de soja, trigo integral, semente de girasol, ovos e carne suína. O inositol também é encontrado na lecitina de soja, em nozes, alfafa germinada,leguminosas em geral, gérmen de trigo, fígado, coração e frutas como o melão. Portanto, LECITINA DE SOJA neles.



A Dra. Gloria Dood, médica veterinária holística, relata a associação do acúmulo de placas amilóides com a intoxicação crônica por alumínio. Ela baseia esta afirmação em trabalho desenvolvido por uma psiquiatra americana, Elizabeth Reese que afirma ter encontrado altos teores de alumínio em cabelos e saliva de pacientes humanos com Doença de Alzheimer e que após o tratamento de desintoxicação pela utilização de quelantes (pequenas moléculas que se ligam a substância tóxica para seqüestrá-la e eliminá-la), observou concomitantemente a queda dos níveis de alumínio, o desaparecimento de sintomas como perda de memória e confusão. Dra. Glória Dood utiliza tratamentos alternativos para DC, dentre eles a desintoxicação do organismo do paciente com quelantes de alumínio e proíbe categoricamente a utilização de bebedouros e comedouros de alumínio, assim como utilização de panelas de alumínio para a confecção de comida caseira para os pets. Pesquisei sobre quelantes naturais na forma de alimentos e encontrei alguns elementos importantes que agem sobre o alumínio: maçã e vinagre.

Além das terapêuticas medicamentosas, é importante orientar o proprietário quanto a reeducação do paciente geriátrico e medidas que facilitem o seu bem estar dentro de suas novas limitações melhorando desta forma a interação animal-cuidador-meio ambiente:

- Previna o stress ambiental mantendo a rotina do animal e evitando mudanças no ambiente para que ele possa se localizar no espaço sem obstáculos e mudanças que possam provocar acidentes ou desconfortos (mudança na localização dos móveis, da caminha dele, do bebedouro e comedouro,etc.). Você também pode facilitar a vida dele utilizando rampas de acesso no lugar de escadas, rampas para sofás ou camas ou ao contrário, a diminuição da altura dos móveis que ele utiliza para deitar desta forma mantendo a autonomia do animal e diminuindo os riscos de acidentes.

- Ajude-o com os cuidados de higiene, escovando-o com escova macia, banhando-o quando necessário. Tosas higiênicas são indicadas para facilitar o trato e os cuidados com idoso. Ele deve sentir-se mais confortável.

-Não utilize produtos com odores fortes nem nele, nem no ambiente para não desorientá-lo ainda mais e evite enviá-lo ao banho e tosa que é um ambiente mais estressante por natureza.

- Incentive-o a comer e beber regularmente, com horários pré-estabelecidos. Pode ser necessário lembrá-los de executar estas tarefas tão comuns e esperadas em outros tempos. Não exagere, pois eles podem pedir comida mais vezes simplesmente pelo fato de não lembrarem que já comeram. A obesidade é sempre prejudicial, principalmente no indivíduo senil.

- O estímulo aos exercícios moderados como caminhadas e jogos também fazem parte do tratamento. Renovar os laços já existentes e muitas vezes adormecidos é importante. Incentive-o, elogie-o, premiações motivacionais são importantes para reacender as relações e manter o cérebro ativo.

-Cuide para que ele não saia sozinho, mesmo que tenha feito isto por toda a sua vida. As circunstâncias novas podem levá-lo a vaguear sem rumo e não encontrar o caminho de volta.

- Se ele vive mais tempo dentro de casa, não esqueça de chamá-lo regularmente para as necessidades no local adequado. Os gatos devem ter mais bandejas de areia a disposição, em locais estratégicos da casa.



- Por último, não esqueça que esse é o momento de você retribuir todos os momentos de atenção, carinho, companhia e adoração que ele compartilhou com você. Esses amigos incondicionais, agora necessitam da sua colaboração, paciência e um pouco mais de atenção e cuidados.


Revisão bibliográfica:
http://veterinario.com.pt/artigos/200903_alzeihmerCanino.pdf
http://www.petcarenaturally.com/articles/alzheimers-in-dogs-and-cats.php
http://www.ivis.org/proceedings/lavc/lavc2006/helio3.pdf

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A NOVA GRIPE E OS VELHOS COSTUMES



Aumentam os casos de gripe suína em todo o mundo, amedrontando populações e trazendo prejuízos financeiros de vulto às economias dos locais afetados.

A letalidade do vírus, por sorte (e nada mais do que isso), parece ser baixa, prevendo-se um número não muito elevado de vítimas fatais da doença.

Observa-se que o descobrimento da vacina é esperado como a solução definitiva para o problema.

Mas será mesmo?

É como se alguém encontrasse um vazamento de água em sua casa e determinasse, para solucionar a questão, que toda a mobília fosse imediatamente impermeabilizada.

Mas as causas do vazamento não foram de modo algum combatidas.

Creio que a comparação se mostra adequada.

É claro que a vacina é importante e poderá salvar muitas vidas, mas a pergunta que se impõe é o que foi ou será feito para evitar que a aparição desse tipo de ameaça seja recorrente na sociedade (lembre-se dos recentes casos da vaca louca e da gripe aviária).

As causas do aparecimento da gripe suína podem com certeza ser desvendadas, e já existiam estudos, mesmo antes da pandemia, que indicavam que o confinamento de um grande número de animais em fazendas industriais propicia um meio adequado para o surgimento e mutação de vírus potencialmente nocivos ao ser humano.

Fazendas industriais, para quem não sabe, foi o modo que o agronegócio sem preocupações éticas encontrou para aumentar a produtividade na criação de animais, confinando um número cada vez maior deles em espaços cada vez menores e cruéis, tudo em nome do aumento do lucro, sem importar o sofrimento dos seres vivos ali tratados como mercadoria e com os danos ambientais causados por esse tipo de aglomeração.

A propósito, sabe-se que no México, país onde surgiram os primeiros casos de gripe suína, existem inúmeras dessas fazendas para fornecer carne suína, principalmente à população norte-americana, em virtude de acordos comerciais.

Mas o que será feito de concreto a respeito dessas granjas, verdadeiras aberrações éticas do sistema capitalista?

Como era de se esperar, nada.

Ao contrário, rebatiza-se o vírus para não atrapalhar os negócios e se joga toda esperança na grande vacina, fazendo reféns da indústria farmacêutica um sem número de governos.

Em suma, seguindo-se a cartilha do mais puro capitalismo, a pandemia gerará crescimento para o dinheiro de alguns poucos, em detrimento do dinheiro de muitos e das verbas públicas.

E nada, absolutamente nada será feito para atacar as causas de um problema que, em um futuro retorno, poderá surgir de forma mais agressiva e devastadora.

por Jaime Nudilemon Chatkin
Promotor de Justiça de Defesa Comunitária em Pelotas.

Fonte: Informativo Instituto Nina Rosa
Para receber este informativo, escreva para
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sábado, 11 de julho de 2009

VIDAS DESCARTÁVEIS: NOSSOS "ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO"

Texto de Paula Brügger , professora do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina.
Atuações principais: educação ambiental; interdisciplinaridade e paradigmas de ciência; desenvolvimento sustentável; relação dos seres humanos com os outros animais como relação sociedade-natureza.
Publicado em 10 de Julho de 2009 em http://www.pensataanimal.net



De onde vêm nossos animais de estimação?
Muitos, comprados em lojas, são provenientes de "fábricas de filhotes", empresas de pequeno porte que criam animais (geralmente cães) para serem vendidos em pet shops. São atividades de "fundo de quintal" que expõem os animais a situações de superpopulação, falta de higiene e ausência de cuidados veterinários e socialização. É comum que cães de "fábricas de filhotes" desenvolvam problemas físicos e psicológicos quando crescem. Muitos deles, ou seus filhotes, são abandonados. Se tiverem sorte, serão recolhidos e levados para um abrigo ou canil e talvez encontrem um lar. Estima-se que 25 milhões de animais vão parar nas ruas a cada ano, sendo que até 27 % destes são cães de raça. Desses 25 milhões de animais 9 milhões, em média, morrem nas ruas de doenças, fome, ferimentos, ou outros perigos presentes na vida de rua. Muitos são cães perdidos, ou simplesmente abandonados por seus donos. Os restantes 16 milhões são mortos por falta de espaço em abrigos ou canis. Quase 50 % dos animais que ingressam nos canis são trazidos por seus próprios donos. Muitas pessoas alegam que não visitam canis porque é deprimente. Mas se há tantos animais em lugares horríveis assim é porque as pessoas não castram seus animais. Muitas pessoas - principalmente os homens - acham que castrar seu animal afetará também sua virilidade ou sexualidade. Outros, simplesmente desejam que seus filhos vivenciem o "milagre da vida" (presenciar o nascimento de novos animais). São proprietários assim que perpetuam o processo de "eutanásia" de mais de 60.000 animais todos os dias. Algumas das difíceis questões que devemos nos perguntar sobre nossos animais de estimação são: "podemos ter animais de estimação e atender às suas necessidades?"; "nós os mantemos pelos seus interesses ou os estamos explorando?" A maioria dos humanos é especista. Consentem e permitem que seus impostos financiem práticas que implicam o sacrifício dos mais importantes interesses de membros de outras espécies para promover os interesses mais triviais de nossa própria espécie. A esperança está numa cultura que nos ensine a sentir além de nós mesmos. Devemos aprender a empatia, a olhar nos olhos dos animais e sentir que a sua vida tem valor (resumido e adaptado do documentário "Terráqueos"; parte I *).


No que tange ao aspecto legal, é possível afirmar que o Brasil possui uma legislação (ambiental e de proteção animal) razoavelmente avançada1. Isso pode ser constatado no capítulo VI, artigo 225, da Constituição Federal, ou na Lei 9.605 - a "Lei de Crimes Ambientais" - de fevereiro de 1998, as quais englobam tanto questões ambientais quanto de proteção animal. Mas mesmo antes destas, já existiam outras como o Decreto Lei 24.645/34, além de documentos sem força de lei, mas importantes, como a "Declaração Universal dos Direitos dos Animais", de janeiro de 1978, da qual o Brasil é signatário. De fato, leis são imprescindíveis. Mas enquanto as leis se referem a um universo coercitivo - isto é, têm um caráter punitivo - a educação se move predominantemente dentro da "liberdade como consciência da necessidade". Pela mudança cultural aprendemos que é preciso rever uma determinada atitude porque tal mudança é justa e necessária e não porque seremos punidos ou "iremos para o inferno", como nos fariam acreditar muitas religiões. Essa é a verdadeira libertação. De fato, seria lamentável deixar que a coerção guiasse nossas atitudes porque isso não seria o reflexo de escolhas e sim de imposições. E educação não é adestramento. Uma educação crítica e libertadora deve favorecer a formação de cidadãos conscientes da parcela de responsabilidade que têm pela saúde e integridade não apenas de seus corpos, mas de outros corpos e demais componentes da biosfera. Devemos nos tornar "autônomos e solidários" e não individualistas e marcados por uma cultura massificada, ou seja, "autômatos e solitários".

A educação é, em tese, o melhor caminho: A educação como solução (?)



No que diz respeito especificamente aos animais de estimação, problemas como o abandono, os maus-tratos e o comércio cruel de animais de estimação são algumas facetas da mesma moeda. Em vez de aplicar procedimentos coercitivos - como leis que criminalizam o abandono de animais - poderíamos estimular uma mudança de valores. E a educação nem precisa ser um "remédio amargo". Há um ditado que diz que "é de pequenino que se torce o pepino", isto é, quanto mais cedo aprendermos que não é eticamente correto fazer algo, como causar sofrimento aos animais (e o caso dos pets é apenas um entre inúmeros exemplos), menos necessidade de punição ou coerção haverá no futuro. Mas lamentavelmente estamos distantes de um cenário no qual a educação possa guiar nossas atitudes. Faço parte de um grupo que criou uma cartilha destinada à educação de crianças, visando à guarda responsável e ao tratamento ético dos animais. Mas apesar de o Poder Público (Coordenadoria do Bem Estar Animal de Florianópolis) ter investido na confecção de 10.000 exemplares desta cartilha, poucas são as escolas que estão fazendo um trabalho com elas. Muitos professores já me disseram abertamente que acham uma perda de tempo tratar de questões que envolvem a integridade dos animais quando têm que enfrentar problemas muito mais graves como adolescentes grávidas, tráfico de drogas, insubordinação de crianças e adolescentes rotulados como "hiper-ativos" etc. Compreendo que esses são problemas de grande magnitude e complexidade. Mas na minha incorrigível mania de ver "tudo ligado a tudo", acredito firmemente que quem aprende desde cedo a respeitar os animais - a vê-los como seres sencientes, "sujeitos de uma vida", como diz o filósofo Tom Regan - tem muito mais chance de agir eticamente nos mais diversos setores de suas vidas. Um aprendizado facilita o outro. Os domínios cognitivo e afetivo se entrelaçam e as premissas são extrapoladas para além de seus limites: se tornam transfronteiriças, se amalgamam. Se começássemos já, em menos de uma geração seria possível transformar profundamente o quadro de descaso que vemos hoje. E isso vale em muitos outros âmbitos. Na verdade o tratamento ético para com os animais não-humanos é parte de um todo maior que envolve uma transformação radical na educação e nos valores dominantes em nossa sociedade.

Quem ama castra

No terrível, mas imprescindível, documentário "Terráqueos"- citado antes - há uma cena que traduz a dura realidade que trago aqui: a de um cãozinho de rua sendo recolhido por um caminhão de lixo...
Mas, afinal, por que há tantos cães e gatos abandonados? Porque nascem em excesso. É simples assim. E, para os que não encontram um lar, o destino costuma ser cruel: são atropelados, enxotados por onde passam, "jurados de morte" por pessoas intolerantes e até mutilados pelas mãos da ignorância em preconceituosos rituais satânicos. Assim vivem esses anjos de quatro patas: como indigentes esfomeados, sedentos de carinho, marginalizados, mas sempre à busca de dias melhores. De fato, é impressionante ver como os animais são aguerridos em sua luta pela vida. O ideal seria que não precisássemos intervir no controle da população de nenhuma espécie. Mas o mal já está feito. Já interferimos quando os domesticamos. Aliás, estamos interferindo o tempo todo, como espécie, em praticamente tudo. Por essa razão não cabe a argumentação, por parte de alguns, de que a castração é uma medida anti-natural e portanto má. Sim, castrar animais é anti-natural como quase tudo o que fazemos. Interferimos, de um lado, criando superpopulações - caso dos animais de estimação e daqueles criados para se tornarem alimento - e, de outro, condenando espécies à extinção. O que é supostamente "natural" não deveria ser um marco para balizar nosso comportamento. Em se tratando de sociedades humanas, o que é meramente natural não existe. Como disse o brilhante filósofo alemão Herbert Marcuse "o que é meramente natural é ultrapassado e recriado pela Razão". Não existe uma fronteira estanque entre "natureza" e "cultura". As duas estão inextricavelmente inter-relacionadas e, em muitos casos, uma é causa e/ou conseqüência da outra. No caso da castração de animais como cães e gatos, se olharmos sob uma ótica de custo-benefício para eles, fica claro que essa é a única opção eticamente correta2. No entanto, a maior parte das pessoas ainda não se deu conta disso. As pessoas deixam de castrar seus animais de estimação pelos mais diferentes motivos. Muitos alegam falta de recursos3, mas gastam dinheiro em tolices e supérfluos como roupas, bebidas e "diversão". Outros reagem com argumentos como "ah, sim, depois que ela tiver uma cria 4", pois crêem que isso seja necessário ou, como bem é apontado no "Terráqueos", desejam que seus filhos vivenciem o "milagre da vida", uma atitude egoísta que só leva em consideração a experiência supostamente educativa que seus filhos terão e não o porvir das pobres criaturas cujo destino é totalmente incerto. Há ainda os que concordam que devem castrar seus animais, mas não o fazem. Acho que o nível de prioridade que elegem quando ouvem um "você precisa castrar seu animal" é algo parecido com "puxa, você precisa lavar o seu carro"! Em que mundo vivem tais pessoas? Não olham à sua volta? Não vêem quantos deles encontram-se abandonados, descartados como objetos?

Eu tenho um sonho

Sonho com o dia em que todas as crianças freqüentarão uma boa escola, desde a mais tenra idade. Essas escolas serão gratuitas e com ensino diversificado (artes plásticas, música, línguas, esportes - e o Kung Fu seria um doce remédio para os "hiper-ativos"), pois isso possibilitará o florescimento do que há de melhor em cada um de nós. Com isso, o sucesso de cada uma dessas crianças no futuro, quando forem adultas, será o resultado de seus esforços e talentos e não mais de condições sócio-econômicas pré-existentes. Nessas escolas, as refeições serão veganas e orgânicas. Os fornecedores serão pequenos produtores. Imaginem a quantidade de empregos que isso vai gerar! Esse sonho é factível e faz parte de um mundo sem armas, sem fome e sem jaulas.

No que diz respeito aos animais que convivem conosco em cidades, sonho com o dia em que não haverá mais um único animal abandonado nas ruas, nem animais de tração. Esse será também o momento histórico em que - à luz da perspectiva abolicionista - estaremos fazendo as escolhas de ordem prática relativas à questão ética de ter pets ou não5. Penso que a essa altura a maior parte das pessoas já terá ampliado seu nível de compaixão e será capaz de amar não apenas seu próprio cão ou gato, mas todos. E, sobretudo, terá aprendido também que só amar não basta. Aliás, amar pode ser perigoso, pois quem encarcera um pássaro numa gaiola, por exemplo, afirma amá-lo. Mas tudo o que os animais querem é que os deixemos em paz para que vivam suas vidas na natureza e conforme sua natureza, uma vida moldada por intrincadas relações que levaram eras e eras de evolução no planeta. Para isso é preciso que, no mínimo, os animais sejam tratados de acordo com sua condição de seres sencientes. Todos querem um mundo melhor, mas esse mundo depende das escolhas e atitudes de cada um de nós. Agora.

"Chique" é ser consciente: Adotar é o bicho!

O princípio abolicionista condena, justificadamente, o comércio de animais6. Adotar, portanto, é a única atitude eticamente correta. Há, em todo o mundo, milhões de animais esperando por uma chance de ter uma vida digna. E, no que diz respeito a cães e gatos, vale lembrar que os "vira-latas" ou SRDs (Sem Raça Definida) tendem a ser mais saudáveis, pois sua bagagem genética é o resultado de um processo guiado pela natureza. E os processos naturais tendem a privilegiar a diversidade. Ao forçar a formação de raças, um procedimento não natural, diversas características dos animais são concentradas, inclusive aquelas que lhes são desvantajosas. Quem realmente gosta de cães ou gatos, gosta tanto dos "vira-latas" quanto dos de raça. Estes últimos representam, para muitos, apenas um símbolo de status. É muito importante que compreendamos que, mesmo no que tange aos animais de estimação, existe um forte componente antropocêntrico e instrumental em nossas atitudes. Basta pensarmos na criação das diferentes raças. Seu propósito foi - e ainda é - o de servir à espécie humana. Para tanto foram criadas raças para guarda, companhia, pastoreio, caça etc. Eis mais uma vantagem dos SRDs: eles podem ser simplesmente "lobos" de novo!

Respeite a natureza de seu animal.

Felizmente mutilações que eram infligidas aos animais de estimação até recentemente - como o corte de orelhas - já estão proibidas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Outras, caso do corte de caudas, apesar de ainda permitidas, são fortemente desaconselhadas. Tais práticas são ultrajantes para os animais porque - além da mutilação em si - elas os obrigam a conviver com a amputação de um órgão que tinha uma função (como a audição, ou a demonstração de estados de consciência, receptividade ou sentimentos). Medidas como banhos semanais com xampus e outros químicos que visam a eliminar o cheiro natural dos animais também devem ser abolidas. Promover o asseio de nossos pets é essencial para sua saúde. Mas cheiro de xampu, roupinhas e enfeites (alguns são mesmo ridículos) são medidas que agradam aos humanos, não aos animais. Os animais não têm senso estético, pelo menos não da mesma forma que nós. Procure fazer o que o seu animal precisa: dar-lhe o máximo de liberdade possível (que pode ser compensada ou obtida com passeios diários), alimento adequado, carinho e atenção, além, é claro, de vacinas e outros cuidados essenciais7.

"Protetores de animais" não são masoquistas... Já pensou se abandonassem uma criança à sua porta (para você adotar!) porque você é uma boa mãe ou bom pai?



Além do sofrimento - inclusive psicológico - infligido aos animais abandonados, há o sofrimento psicológico de pessoas sensíveis que se deparam com animais em condições deploráveis e acabam gastando seu tempo de lazer para resolver um problema que não criaram. É preciso desmitificar a idéia de que "protetores de animais" são masoquistas que gostam de perder seu tempo resolvendo problemas criados por outros. "Protetores de animais" ajudam os animais por compaixão, não por prazer em lidar com situações estressantes. Como quaisquer outras pessoas, eles gostam de praticar esportes, ir ao cinema, sair para conversar, cuidar do jardim e de estar com seus amigos e familiares. O que move suas atitudes altruístas é um senso de dever que deveria fazer parte das ações cotidianas de todos. Os péssimos cidadãos que abandonam seus animais provocam portanto, nas pessoas sensíveis, um sentimento de impotência e uma ansiedade que pode levá-los inclusive a contrair doenças. É de um cinismo total pensar que alguém tenha que se responsabilizar por todo e qualquer animal que venha a parar em sua porta porque esse alguém "gosta" (sic) de animais.

Violência e especismo

Por fim, diversos autores argumentam que a violência contra animais não-humanos é indicadora de psicopatias não restritas a eles. Alguns estudos em prisões nos EUA, por exemplo, mostraram que réus de segurança máxima praticaram atos de extrema crueldade contra animais em sua infância e foram abusados sexualmente8. Vale destacar, finalmente, que a condição de descartabilidade que imputamos às vidas dos animais não-humanos - e que está presente nas mais variadas situações de nosso quotidiano, como a dieta alimentar, formas de "diversão" ou "esporte", formas de pretensamente obter conhecimento, etc - deve-se ao nosso especismo. E o especismo é uma forma tácita de violência. Mas o especismo não é uma qualidade inerente à nossa forma de ver e apreender o mundo. Não se trata de uma "maquinaria" ou software imanente à espécie Homo sapiens. Trata-se tão somente de uma lente através da qual se desvela nosso entorno. Descartar essa lente - a fim de transcender o especismo - nos tornaria verdadeiramente humanos, no melhor sentido que esta palavra tem. No único sentido que deveria ser legítimo.



Notas

* O documentário Earthlings (Terráqueos, em português), de 2005, foi escrito e dirigido por Shaun Monson. É narrado pelo ator vegano Joaquin Phoenix e a trilha sonora, composta especialmente para o documentário, é do músico também vegano Moby. As aspas na palavra eutanásia são minhas. A palavra eutanásia deveria se referir tão somente ao ato de tirar a vida de um animal para o alívio de uma condição que lhe cause um sofrimento insuportável e que seja irreversível e não simplesmente a uma morte "indolor" para atender a uma "necessidade" dos humanos, como o controle populacional.

1 A aprovação da retrógrada "Lei Arouca", que regulamenta a prática da vivissecção no país, é uma lamentável exceção. Isso só demonstra que dentro de um universo de pensamento fortemente marcado pelo antropocentrismo e pelo especismo - como é o nosso - os progressos em direção ao abolicionismo animal, e mesmo os que dizem respeito às questões ambientais, acontecem numa via tortuosa: às vezes damos um passo para frente, mas dois para trás.

2 É importante reforçar as vantagens da castração cirúrgica. Estudos têm demonstrado que cadelas castradas precocemente têm uma excelente qualidade de vida. A castração precoce em cadelas é um fator importante para decréscimo do risco de tumor mamário (veja por exemplo TANAKA, Neide. Tumor de mama: Qual a melhor conduta? Boletim Informativo da ANCLIVEPA, ano VII, n.29 jan/mar 2003:06-07). Além disso, uma cadela castrada não fica exposta a infecções uterinas e não tenta fugir para cruzar. No caso da castração de machos, estes deixam de ir atrás de fêmeas no cio e sua necessidade de urinar para demarcar seu território diminui. Mas nem por isso deixam de guardar a casa. É preciso destacar que a castração não é obviamente correta do ponto de vista ético no caso de animais como bois ou porcos que são submetidos a tais procedimentos para atender à demanda dos seres humanos por carne ou tração em trabalhos forçados. A castração cirúrgica pode ser também uma solução eticamente correta para o controle de populações de outros animais (os exóticos, por exemplo).

3 Para os casos em que isso é verdade há, em Florianópolis, um programa municipal gratuito de castração cirúrgica que visa a atender justamente a parcela da população que não têm recursos suficientes para bancar tais cirurgias. Trata-se da COBEA (Coordenadoria do Bem Estar Animal).

4 Muitos acham que sua cadela ou gata precisa ter pelo menos uma cria antes de ser esterilizada (castrada cirurgicamente), mas não há na literatura veterinária nada que indique essa necessidade. Por outro lado, estudos têm demonstrado que cadelas e gatas castradas precocemente têm uma excelente qualidade de vida.

5 É muito claro para nós que vidas não se compram (como também era o caso na escravatura humana) e que não é eticamente correto ter animais de estimação a não ser os recolhidos da rua, de situações de maus tratos e raras outras circunstâncias. Mas o debate está apenas começando. Veja, por exemplo, os artigos "O que será dos animais domésticos em um mundo vegano? De Sérgio Greif, disponível em http://www.pensataanimal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=277:o-que-sera-dos-animais-domesticos-em-um-mundo-vegano&catid=43:sergiogreif&Itemid=1 e "Uma posição abolicionista implica, logicamente, numa extinção por esterilização dos animais domesticados? De Luciano Carlos Cunha, disponível em http://www.pensataanimal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=279:uma-posicao-abolicionista&catid=41:lucianocunha&Itemid=1

6 Segundo Medeiros (2009, p.281) "o mercado de petshops cresceu 17% desde 1995, faturando cerca de R$ 6.000.000.000,00 (seis bilhões ao ano), conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação, associação que controla os dados do setor. Para efeito de comparação, a indústria nacional de brinquedos deve faturar R$ 1,1 bilhão este ano, informa a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). In: MEDEIROS, Fernanda L. F. Princípio da dignidade da vida para além do animal humano: um dever fundamental de proteção. 2009. 383f. Tese (doutorado), Curso de Pós-Graduação em Direito, Universidade Federal de Santa Catarina, SC, Brasil.

7 Discorri recentemente sobre a importância dos passeios para os cães - esse momento de alegre comunhão entre nós e eles - e sobre a disposição das fezes e outros assuntos relacionados ao tema "guarda responsável". Veja "Passeando com o líder da matilha", disponível em http://anda.imprensa.ws/colunaDetalhe.php?idColuna=266
8 Veja, por exemplo, FELTHOUS, Alan R. Agression against cats, dogs and people. Child psychiatry and human development, 10, 1980:169-177; KELLERT, Stephen R. & FELTHOUS, Alan R. Childhood cruelty toward animals among criminals and noncriminals. Archives of General Psychiatry, nov.1983. Acesse também http://www.peta.org

Texto reeditado, originalmente publicado no Jornal Tao, números 38; 39 e 40; p. 07; edições de fevereiro, março e abril de 2009. Disponível em: http://www.jornaltao.com/

Texto retirado de:
http://www.pensataanimal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=305:vidas-descartaveis-nossos-qanimais-de-estimacaoq-&catid=45:paulabrugger&Itemid=1

domingo, 5 de julho de 2009

DIETA VEGETARIANA PARA CÃES

Você é vegetariano ou vegano e está preocupado com a alimentação do seu cão? Não se preocupe pois existem formas de alimentar o seu cão seguindo os seus padrões alimentares. O site cachorroverde apresenta um texto gostoso de ler com 7 cardápios balanceados e diferentes, com explicações importantíssimas para que o seu cão não sofra com a mudança alimentar. Reproduzo abaixo o texto mas recomendo uma visita ao site ( http://www.cachorroverde.com.br ), recheado de excelentes informações nutricionais....Vamos à leitura:

DIETA VEGETARIANA PARA CÃES



Preocupadas com a própria saúde, com o meio ambiente e com as condições em que animais como vacas, galinhas e porcos são criados, muitas pessoas se tornam vegetarianas ou vegans/veganos. Só para esclarecer: vegetarianos excluem carnes de suas dietas, mas podem ou não incluir ovos e/ou leite e seus derivados. Já os vegans não consomem absolutamente nada que seja de origem animal.
Nada mais natural que o adepto desse estilo de vida queira estendê-lo ao seu melhor amigo! É o seu caso? Confira o guia abaixo e veja como é gostoso e prático preparar em casa refeições “verdes” saudáveis e criteriosas.

É possível oferecer uma dieta vegetariana caseira para cães?

Conforme respondi a todos os vegetarianos que nos enviaram e-mails, sim, isso é perfeitamente possível. O Cachorro Verde ( http://www.cachorroverde.com.br ), assim como os precursores das dietas naturais, consideram o cão um animal essencialmente carnívoro, tendo em vista os hábitos alimentares dos canídeos na Natureza.
Mas a Literatura Veterinária define o cão como um onívoro oportunista. Isso significa que o organismo do cão, de forma semelhante ao do ser humano, pode se adaptar para obter nutrientes essenciais a partir de uma ampla variedade de alimentos. Desde que cuidadosamente formulada e acompanhada por um médico-veterinário, a dieta caseira vegetariana não trará prejuízos à saúde do cão.
“Devo optar por dieta caseira ou outro tipo de alimentação vegetariana?”
Dietas caseiras oferecem inúmeras vantagens:

* frescor e qualidade dos ingredientes;
* reduzido teor de aditivos;
* maior teor de água;
* alta digestibilidade;
* baixo risco de torção gástrica;
* alta palatabilidade;
* presença de nutrientes muito biodisponíveis (“aproveitáveis” pelo organismo).


Se você dispõe de tempo para fazer compras periódicas de alimentos e suplementos e não se importa de cozinhar ou preparar as refeições de seu cão, ótimo. Você vai tirar de letra a alimentação caseira.
Na verdade, não é nenhum bicho de sete cabeças preparar as receitas vegetarianas. Mas é preciso ter comprometimento e seguir as orientações. Como se trata de uma dieta restritiva, ou seja, com menos grupos alimentares, deficiências ou excessos nutricionais podem ocorrer mais facilmente. Para evitar que isso aconteça você precisará variar bastante os ingredientes e acrescentar determinados suplementos à dieta.
Se você acha que não dará conta, opte por outro tipo de dieta vegetariana. É indiscutivelmente preferível oferecer uma dieta comercial, que supre os requerimentos nutricionais, a oferecer refeições vegetarianas caseiras desbalanceadas.

E que tal uma dieta caseira vegan para cães (sem alimento algum de origem animal)?

Dietas vegans para pets existem mas são controversas. Cães e gatos não são herbívoros e uma alimentação ainda mais restritiva que a vegetariana pode trazer problemas. É o que relata o médico-veterinário norte-americano Martin Goldstein em seu ótimo livro The Nature of Animal Healing. (Ele atendeu uma Pastora Alemã, de nome Vegan – criada à base de vegetais desde filhote – dona de uma crescente e incontrolável agressividade que morreu relativamente jovem de câncer mamário.)
Abaixo, o comentário feito pelo Dr. Richard Pitcairn PhD, veterinário vegetariano com experiência de 40 anos em clínica de cães e gatos e autor do livro Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs & Cats:
“Observo que na maioria das vezes os problemas tendem a aparecer quando os proprietários excluem da dieta todo e qualquer alimento de origem animal, incluindo ovos, leite e seus derivados. As pessoas podem viver bem com uma dieta vegan cuidadosamente elaborada, mas eu não a recomendaria para cães – e muito menos para os gatos.”

Ué, mas se faltam nutrientes, não podemos simplesmente adicioná-los à dieta na forma de suplementos? Sim, e isso é feito. O problema é que os nutrientes sintéticos ou industrializados simplesmente não têm o mesmo valor biológico dos mesmos nutrientes in natura, no alimento. Leia mais sobre isso aqui. Ainda não conhecemos a fundo os requerimentos de micronutrientes dos pets. Tampouco identificamos todas as propriedades presentes nos alimentos e suas possíveis interações.
Todos os anos novos elementos nutricionais são descobertos ou re-descobertos. Negar todo e qualquer alimento de origem animal aos cães pode levá-los a uma carência nutricional desconhecida. E ainda existe a questão da palatabilidade (sabor). Pode ser bastante difícil acostumar cães e gatos – principalmente adultos – a aceitar as dietas vegans caseiras.
Se você é vegan, considere a possibilidade de oferecer ao seu cão uma alimentação caseira vegetariana. É uma opção considerada mais segura por ser menos restritiva que a dieta vegan.



É preciso adicionar taurina à dieta vegetariana?
Quando se pensa em taurina, se pensa em gatos. Para os felinos a ingestão desse aminoácido é de suma importância para a saúde cardiovascular e dos olhos. Isso ocorre porque o fígado dos gatos não consegue produzir taurina a partir dos aminoácidos cistina e metionina e da vitamina B6, como faz o fígado do cão. O felino precisa ingerir a taurina já pronta. E taurina desse jeito só existe em tecidos de animais; em especial no coração, nos olhos e na musculatura, preferencialmente crus.
Entretanto, estudos nutricionais recentes revelaram que a taurina presente na carne também pode ser necessária para a saúde cardiovascular dos cães, em especial dos de porte grande e gigante.
Em 2003, os pesquisadores da universidade norte-americana UC Davis publicaram informações sobre pesquisas feitas com cães de raças grandes que apresentavam uma doença chamada cardiomiopatia dilatada que leva à insuficiência cardíaca. Foi encontrada uma associação direta entre essa afecção e a deficiência de taurina na dieta.

Cadelas prenhes e lactantes podem comer a dieta vegetariana? E os filhotes?
Ainda não dispomos de um cardápio vegetariano para filhotes, fêmeas prenhes e lactantes. Mas neste endereço ( http://www.vegsoc.org/ ) você encontra (em inglês) um cardápio para filhotes aprovado pelos membros da mais antiga organização vegetariana do mundo, The Vegetarian Society of the United Kingdom (A Sociedade Vegetariana do Reino Unido).
E para os cães de trabalho e atletas? Estes podem obter mais energia por meio de aumento das porções (e da freqüência com que são servidas); do uso de vegetais ricos em carboidratos como batata, mandioquinha, inhame, e de frutas como a banana (de preferência com a casca); e/ou da inclusão regular de um mingau de cereais, etc.

Adaptação do cão adulto à nova dieta

Se você oferece outro tipo de dieta, vá acrescentando aos poucos os alimentos indicados nas receitas vegetarianas até que, passados alguns dias, você esteja oferecendo 100% do novo cardápio. Isso fará com que os sentidos e o trato digestório do cão se acostumem gradativamente com os novos cheiros, sabores e ingredientes. Há pessoas, entretanto, que mudam a dieta de seus cães da noite para o dia e não relatam problemas.
Variar é preciso; além de fornecer uma ampla gama de nutrientes, a variação evita que o cão enjoe da comida. Descubra quais são os alimentos vegetarianos que seu cão mas gosta e use-os com maior freqüência. Valorize a comida, fazendo festa antes e depois de cada refeição. Não ofereça ingredientes “passados”; cheiros, sabores e texturas ruins podem fazer os cães recusarem a comida.
Vale acrescentar “molhos” ou pedacinhos de coisas gostosas e nutritivas às refeições, como levedura de cerveja (salpicada feito queijo ralado), proteína de soja texturizada, molho de soja tamari – esses três itens são ricos em vitaminas do complexo B - ou pedacinhos de maçã, de queijo branco, etc.
Como saber se o cão está saudável comendo a nova dieta
Ao desconfiar de qualquer alteração, leve o animal ao médico-veterinário. Diarréias e vômitos persistentes, coceiras e afecções de pele podem ser sinal de alergia alimentar. Com orientação do médico-veterinário, tente identificar e excluir da dieta os alimentos suspeitos. Se estiver tudo bem com o cão, ótimo. Mas não deixe de levá-lo periodicamente ao veterinário.

Preparo dos vegetais

Há vegetais que podem ser oferecidos crus, como a beterraba, a cenoura, o pimentão, o brócolis, a couve-flor, a ervilha torta e a vagem. Mas devem ser liquidificados com um pouquinho de água para facilitar a digestão e a absorção dos nutrientes. Já tubérculos como batatas, batata doce, mandioquinha e inhame devem sempre ser oferecidos cozidos. Fique de olho no relógio. Cozinhar legumes por mais de 15 minutos destrói fibras e importantes micronutrientes.
Se possível, ofereça tanto legumes crus quanto cozidos. Vegetais crus são mais nutritivos e contêm bastante fibra, ao passo que os cozidos são mais gostosos, calóricos e digestíveis.

Fontes vegetarianas de proteína, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais

Proteína: as melhores fontes são queijos, ovos, grãos de soja, farinha de soja, tofu e proteína de soja. Outras fontes incluem leguminosas (lentilhas, feijões, quinua), cereais integrais e gérmen de trigo, sementes de girassol, gergelim, côco, castanha e nozes - com exceção das macadâmias. Observação: sempre que for possível combine duas ou mais fontes protéicas, já que os alimentos apresentam diferentes teores e tipos de aminoácidos.

Gordura e óleos: manteiga, margarinas, queijos, ovos, azeitonas, azeite de oliva, gérmen de trigo, nozes, óleo de girassol, óleo de milho, óleo de linhaça, óleo de soja, óleo de canola, etc.

Carboidratos: cereais e seus derivados (farinhas, pães), bananas, castanha de caju, leguminosas, pêras, frutas secas (evitar passas), batata, mandioquinha.

Fibras: legumes, frutas, cereais integrais, pães e leguminosas (feijão, quinua, lentilha).

Vitaminas
Vitamina A: na forma de vitamina A – margarina, manteiga, leite, queijo e ovos. Na forma de precursores (carotenos) – cenouras e vegetais verdes.
Observação: para os cães, o caroteno tem metade do valor nutricional da vitamina A.
Vitamina D: na forma de vitamina D – margarina, manteiga, ovos e leite. Na forma de seu precursor, que é convertido em vitamina D pela ação dos raios solares na pele do animal: vegetais de folhas escuras, gérmen de cereais e levedura de cerveja.
Vitamina E: gérmen de cereais (especialmente o óleo de gérmen de trigo e o óleo de girassol), vegetais de folhas verdes (repolho, espinafre, alface).
Vitamina K: vegetais de folhas escuras.
Vitaminas do complexo B (com exceção da B12): levedura, cereais integrais, gérmen de cereais, bran, ovos, legumes diversos, nozes. Observação: trata-se de um complexo facilmente destruído por ação do calor (cozimento).
Vitamina B12: leite de soja fortificado, queijo, algumas proteínas vegetais texturizadas (verifique o rótulo), leite.
Vitamina C: brotos frescos, couve, couve-galega, couve-flor, brócolis, repolho, frutas cítricas, morangos, tomates, pimentões verdes.

Probiótico: Iogurte e queijos

Observações: a vitamina C não é um requerimento essencial para os cães, uma vez que o organismo deles – diferentemente do nosso - consegue produzir essa vitamina. No entanto, alguns pesquisadores sugerem que a síntese (“fabricação”) de vitamina C dos cães alimentados com dietas de baixa proteína pode não ser tão eficiente. E como os cães de vida urbana estão sujeitos à poluição e ao estresse, oferecer uma fonte extra de vitamina C, um poderoso antioxidante, nunca é demais.

Minerais

Cálcio: boas fontes incluem o queijo, o iogurte e o gergelim. Mas o cálcio também está presente em menor quantidade nas amêndoas, figos secos, pepino, feijão, limão, leite, tangerina, alho-poró, couve, alface, couve-flor, almeirão, aipo, amendoim.
Alimentos com bom equilíbrio cálcio:fósforo – queijo, iogurte, feijão, ervilhas maduras, lentilhas, ovos, couve, couve-de-Bruxelas, figos secos, leite, couve-flor, salsão, alface, banana, laranja, amendoim, amêndoas e avelã.
Alimentos com pouco cálcio em relação ao fósforo – cereais e seus derivados, pães e farinha. Observação: esses alimentos precisam ser oferecidos juntamente com alimentos ricos em cálcio de modo a prevenir deficiências desse mineral. O ácido fítico presente nos cereais também reduz a absorção de cálcio. Deixar os grãos “de molho” em uma cuba com água durante a noite e acrescentar umas gotinhas de limão ativa enzimas que quebram o ácido fítico. A vitamina D também é um fator essencial para a absorção de cálcio.
Ferro: painço, salsão, cream cheese (requeijão), tangerina, espinafre, frutas variadas, legumes em geral, nozes, cereais integrais.
Iodo: algas, ovos, fucus, centeio e trigo integral e alface.

Outros minerais: desde que a dieta contenha uma ampla variedade de vegetais, cereais, frutas, nozes, leite, queijos e ovos, minerais importantes não ficarão de fora.

Alimentos que devem ser evitados: macadâmias, passas, uvas, cebola, chocolate (ao leite e amargo), pimenta e alimentos apimentados.

Observações importantes antes de começar

Ferro e suplemento multi-vitamínico e mineral: Alguns veterinários naturalistas recomendam suplementar as dietas vegetarianas dos cães com complexos multi-viamínicos-minerais de modo a evitar deficiências. Dietas sem carne são suspeitas de levar os cães a uma deficiência de ferro. Isso porque o ferro de origem vegetal não é absorvido pelo organismo canino com a mesma facilidade que o ferro presente nas carnes. Algumas maneiras de driblar esse risco:

* Oferta regular painço cozido – grão muito rico em ferro;
* Prefira ovos caipiras (orgânicos). Quando produzido de forma natural o ovo é outra boa fonte desse mineral;
* Oferta diária de ferro ou complexo vitamínico-mineral para cães.


O requerimento mínimo diário de ferro, de acordo com as diretrizes do National Research Council (http://dels.nas.edu/dels/rpt_briefs/dog_nutrition_final.pdf ) para um cão com 16,5 quilos é de 7,5 miligramas por dia. Se optar pelo complexo vitamínico-mineral, consulte o rótulo ou a bula para descobrir a dosagem diária que seu cão deve receber.



“Pó Saudável”

Uma dica opcional para qualquer dieta canina ou felina – vegetariana ou onívora – é a adição de Pó Saudável (Healthy Powder). Trata-se de uma receitinha do Dr. Richard Pitcairn elaborada com intuito de incluir valiosos micronutrientes às refeições dos pets. Anote aí:

2 xícaras de levedura de cerveja em pó
1 xícara de grânulos de lecitina
¼ de xícara de pó de fucus
2 colheres de sopa de pó de casca de ovo (fonte de cálcio)
1.000mg de vitamina C moída ou ¼ de colher de chá de ascorbato de sódio (opcional)

Diariamente (ou regularmente) ofereça:
1 colher de café rasa para cães de porte pequeno
1 colher de chá rasa para cães de porte médio
1 colher de sobremesa rasa para cães de porte grande
1 colher de sobremesa cheia para cães de porte gigante

Os ingredientes do Pó Saudável podem ser encontrados em lojas de produtos naturais, supermercados elitizados, farmácias de manipulação e em algumas drogarias. Você pode ainda mandar manipulá-los com prescrição veterinária. Já o pó de casca de ovo (fonte natural de cálcio) você pode fazer em casa. É fácil e grátis. Basta deixar algumas cascas de ovo no forninho elétrico ou convencional em temperatura média por 10 minutos, e em seguida triturá-las no liquidificador até obter um pó bem fino.

Como conservar os nutrientes dos suplementos
Guarde o Pó Saudável, o suplemento de ferro ou o frasco de comprimidos multi-vitamínicos-minerais em lugar limpo, fresco e de preferência abrigado da luz solar. Antes de acrescentar os suplementos à refeição, espere a comida esfriar. O calor pode anular as frágeis propriedades nutricionais. A única exceção a essa regra é o pó de casca de ovo, que pode ser adicionado à comida quente ou fria.
Óleos vegetais – com exceção do azeite de oliva - devem ser armazenados na geladeira, para que os ácidos graxos não percam valor nutricional por oxidação.
Petiscos para a higiene dos dentes
Dietas predominantemente cozidas, sem alimentos duros, não estimulam a mastigação ou o ato de roer. Assim sendo, não contribuem com a limpeza dos dentes e das gengivas dos cães, predispondo-os à formação de cálculo (“tártaro”) dentário. É possível retardar esse processo oferecendo diariamente alimentos como cenoura crua inteira, maçã crua, biscoitos caseiros para cães que sejam bem durinhos, e brinquedos como ossos feitos de nylon (à venda em pet shops).

Como preparar as receitas
Abaixo você encontra sete receitas vegetarianas para cães adultos saudáveis. Se o animal apresenta alguma doença de controle alimentar (insuficiência renal, diabetes, etc), consulte seu médico-veterinário para saber se a dieta vegetariana pode ser mantida.
No lugar de um cardápio semanal propriamente dito, abaixo você encontra sete receitas. Com exceção da primeira (Mingau de Aveia/Musli), que deve ser oferecida como refeição principal até duas vezes por semana (salvo se oferecida como lanche para cães muito ativos), as demais receitas podem ser servidas com maior freqüência.
Algumas receitas rendem porções muito generosas, permitindo o preparo de refeições para muitos dias. Você pode preparar no mesmo dia duas ou três receitas e separar as porções em tupperwares para serem congeladas. Deste modo é possível variar regularmente a alimentação. Se você tem poucos cães ou cães de pequeno porte, prepare essas receitas reduzindo pela metade (ou até mais) a quantidade indicada para cada ingrediente.

Quanto oferecer de cada receita ao cão
Depende muito. Fatores como grau de atividade física do cão, metabolismo, genética, idade e saúde influenciam na quantidade de alimentos que ele deve receber diariamente. Para fins ilustrativos calculamos as porções para cães com cerca de 7 quilos de peso. Tente chegar à quantidade que seu cão deve comer a partir desse exemplo.
A regrinha da porcentagem sugerida aqui também pode ser aplicada. Os cães adultos devem comer de 1,5 a 3,5% em média de alimentos por dia. Mas não tem segredo. Ofereça uma certa quantidade dentro dessa porcentagem (por exemplo, 2,5% do peso do animal) e monitore a forma física dele. Engordou? Ofereça uma porcentagem maior. Emagreceu? Reduza as porções.

Receitas vegetarianas para cães

Mingau de aveia / Musli (sem passas)
Trata-se de um prato de mingau de aveia ou de cereais (tipo Musli) com leite diluído (para não causar diarréia) que pode ser servido até duas vezes por semana no almoço ou no jantar do cão. No caso de cães atletas ou abaixo do peso, o mingau pode ser oferecido como lanche, diariamente. Se o animal não for diabético e não estiver gordinho, pode acrescentar uma colher de mel, melaço ou açúcar. Rende uma refeição para um cão com cerca de 7 quilos.



Preparo do mingau de aveia:
Em uma panela acrescente três colheres de sopa de aveia em flocos, mais 120mL de leite desnatado e a mesma quantidade de água filtrada. Após a fervura, deixe cozinhar por três a cinco minutos. Sirva morno ou frio.

Preparo do Musli (sem passas) com leite:
Na tigela do cão coloque de três a quatro colheres de sopa de cereais, mais a mesma quantidade de água e de leite citada acima. Mexa e sirva frio ou gelado.
Obs: Acrescente 125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
2 Queijos
Prática, essa nutritiva receita não exige cozimento e pode ser oferecida várias vezes por semana. Rende uma refeição para um cão com cerca de 7 quilos.
30 gramas de queijo cottage light
30 gramas de queijo ralado (qualquer tipo)
2 fatias de pão integral
40 gramas de legumes liquidificados, crus (ou cozidos, inteiros)
1 colher de sopa rasa de óleo de canola
1/5 de dente de alho cru
½ colher de chá de levedura de cerveja
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico, pó saudável)



Delícia de tofu
Outra saborosa receita que pode ser oferecida várias vezes por semana. Rende quatro refeições para um cão com cerca de 7 quilos.
100 gramas de tofu enriquecido com sulfato de cálcio, frito
20 gramas de queijo minas cortado em cubos
2 xícaras de feijão cozido
1 xícara e ½ de arroz integral cozido
2 colheres de sopa de óleo de girassol
1 ½ colher de chá de levedura de cerveja
½ dente de alho cru
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico, pó saudável)



Polenta suculenta
Eis uma receita que os cães adoram! Prepare o avental porque você vai, literalmente, pôr as mãos na massa! Rende cerca de 5 ½ xícaras ou pouco mais de 2 refeições para um cão com aproximadamente 7 quilos de peso.
½ xícara de leite em pó + 4 xícaras de água (ou um total de 4 xícaras de leite desnatado)
1 xícara de farinha de milho ou fubá de milho (cru)
2 ovos grandes, batidos
½ xícara de queijo ralado
¼ de colher de chá de pó de casca de ovo
½ colher de sopa de pó saudável
1 colher de chá de óleo vegetal
½ xícara de legumes (ralados e crus, crus e liquidificados ou cozidos)
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: em uma panela, ferva o leite em pó e a água (se estiver usando somente leite, mexa o tempo todo para evitar que queime). Acrescente o fubá rapidamente e mexa até obter uma mistura de textura lisa. Cubra a panela e diminua o fogo por 10 minutos, até que o fubá esteja macio e grudento. Com o fubá ainda quente, adicione os ovos e o queijo. Deixe esfriar um pouco e acrescente os demais ingredientes.
Substitutos para os grãos: 1 xícara de painço (+ 3 xícaras de água = 3 xícaras cozido); 1 xícara de cuscuz de trigo integral (+ 1 ½ xícaras de água = 2 ½ xícaras cozido); 2 xícaras de aveia crua (+ 4 xícaras de água = 4 xícaras de mingau aveia).



Feijões à Caçarola
Outro prato delicioso que pede um tempinho na cozinha, essa receita possui a vantagem de render muitas porções (17 a 18 xícaras ou 9 refeições para um cão com 7 quilos), o que a torna uma opção interessante para canis.
4 xícaras de feijão cru (ou 10 xícaras de feijão cozido)
3 xícaras de leite integral
1 xícara de farinha de milho ou fubá de milho
2 xícaras de queijo cheddar ralado
4 ovos grandes
2 colheres de sopa de óleo vegetal
¼ de xícara de pó saudável
2 ¾ colheres de chá de pó de casca de ovo
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: 1 a 2 xícaras de vegetais (crus e liquidificados, ou cozidos)
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: deixe os feijões na água durante a noite na véspera. Retire a água, lave-os e descarte os feijões quebrados ou com defeitos. Ferva os feijões em 8 a 10 xícaras de água. Deixe cozinhar, com a panela tampada por 1 ½ horas ou até que você consiga retirar a casca do feijão. (Para evitar que o cão apresente gases – descarte a água usada para o cozimento após a primeira meia hora e complete com água nova para a hora restante.) Enquanto espera, prepare a cobertura de fubá. Ferva o leite. Gradualmente acrescente a farinha ou fubá de milho, mexendo com o garfo. Cubra e asse até ficar macio, por cerca de 10 minutos. Retire do fogo e acrescente o queijo e os ovos. Após a mistura ter esfriado, acrescente os ingredientes restantes e sirva. Congele tudo o que não puder ser comido em três dias.



Omelete + grãos
Esse prato fácil de preparar tem como base protéica os ovos. Os ovos são uma fonte econômica de proteína e contêm generosos teores de gordura e lecitina, um nutriente essencial para a saúde neurológica. Para tornar essa receita ainda mais completa, procure em lojas de produtos naturais um pó protéico sem sabor à base de lactoalbumina e albumina de ovos. Rende 5 xícaras ou pouco mais de duas refeições para um cão com aproximadamente 7 quilos.
1 xícara de triguilho
4 ovos
1 colher de sopa de salsinha picada ou ½ xícara de legumes cozidos
3 colheres de sopa de pó protéico
2 colheres de pó saudável
3 colheres de sopa de óleo vegetal (recomendação: óleo de linhaça)
1 colher de chá cheia de pó de casca de ovo
1 dente de alho amassado (opcional)
½ colher de chá de molho de soja tamari ou uma pitada de sal
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: ferva 2 xícaras de água. Acrescente o triguilho, cubra e reduza o fogo deixando cozinhar até que os grãos estejam macios, por 10 a 20 minutos. Misture os ovos e mexa-os enquanto o triguilho ainda está quente. Deixe esfriar, acrescente os ingredientes restantes e sirva.



Grãos substitutos: 1 xícara de painço (+ 3 xícaras de água = 3 xícaras cozidas); 1 xícara de cuscuz de trigo integral (+ 1 ½ xícaras de água = 2 ½ xícaras cozidas); ou 2 xícaras de aveia crua (+ 4 xícaras de água = 4 xícaras de mingau de aveia).
Ferro Extra
Rende 14 xícaras ou cerca de 5 refeições para um cão de aproximadamente 7 quilos.
2 xícaras de feijão (ou 5 xícaras de feijão cozido)
2 xícaras de painço (ou 6 xícaras de painço cozido)
4 xícaras de queijo cottage light
6 colheres de sopa de óleo vegetal
4 colheres de sopa de pó saudável
3 colheres de chá cheias de pó de casca de ovo
½ xícara de cenouras cozidas, brócolis, ou ervilha (opcional)
2 colheres de chá de molho de soja tamari (ou 1/2 colher de chá de sal)
1 a 2 dentes de alho amassados ou picados (opcional)
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: deixe os feijões na água durante à noite, na véspera do preparo. Retire a água, lave e descarte feijões quebrados ou estragados. Ferva os feijões em 6 a 8 xícaras de água. Deixe cozinhar, com a panela tampada, por 1 ½ hora ou até que a casca esteja mole. (Para reduzir os gases intestinais, descarte a água após meia hora de cozimento e acrescente água fresca para deixar os feijões cozinharem por mais 1 hora). Enquanto isso prepare o painço. Ferva seis xícaras de água. Acrescente o painço, cubra a panela e deixe cozinhar no fogo baixo por 20 a 30 minutos, até que fique macio. Combine o feijão e o painço quando ambos estiverem prontos. Espere esfriar, acrescente os demais ingredientes e sirva.
Substitutos: Grãos - triguilho, arroz integral e cevada (2 xícaras crus).
Feijões: lentilhas, grão de soja, feijão preto ou feijão branco.



“Croquetinhos” caseiros vegetarianos
Receita interessante, que permite a você preparar em casa saudáveis “grãos” (pellets) vegetarianos para cães.
4 xícaras de grãos diversos (pelo menos três diferentes. exemplo: aveia, cevada e painço)
2 xícaras de farinha de arroz
1/2 xícara de farinha de trigo integral
1 colher de sopa rasa de pó de casca de ovo
1 colher de sopa de levedura de cerveja
1 colher de sopa de fucus
1 colher de sobremesa de óleo de fígado de bacalhau (opcional)
Meia xícara de óleo vegetal
4 ovos
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Misture todos os ingredientes muito bem, e então acrescente os ingredientes molhados e misture até deixar tudo úmido. Com uma colher de chá pingue meia colher dessa mistura em forminhas de biscoito untadas e asse a 180 graus por trinta minutos. Remova do forno quando estiver dourado.



Referências bibliográficas (e sugestões para consulta)
Sites
* Veggie Pets (http://www.veggiepets.com/ )
* Vegetarian Food (http://www.vegetarianfood.com.au/pets.htm )
* VegPets (http://www.vegpets.com/ )
* Sociedade Vegetariana Brasileira (http://www.svb.org.br/vegetarianismo/ )
* The Vegetarian Society of the United Kingdom (http://www.vegsoc.org/ )
* National Research Council (http://dels.nas.edu/dels/rpt_briefs/dog_nutrition_final.pdf )

Livros
* Canine Nutrition - What Every Owner, Breeder and Trainer Should Know. D.V.M. Lowell Ackerman. 1999
* Dr. Pitcairn’s Complete Guide of Natural Health for Dogs & Cats. D.V.M., PhD, Richard Pitcairn. 2005
* Natural Health Bible for Dogs and Cats. D.V.M. Shawn Messonnier - 2001
* The Nature of Animal Healing. D.V.M. Martin Goldstein - 1999
* Food Pets Die For. Ann Martin - 2008

Texto publicado em 2 de novembro de 2008 por Sylvia Angélico em www.cachorroverde.com.br

domingo, 14 de junho de 2009

NUTRIÇÃO E CÂNCER

PREVENINDO E TRATANDO O CÂNCER COM ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

Dando sequência às postagens sobre câncer, vamos falar do que, ao meu ver, seria a parte mais importante do tratamento: BOA ALIMENTAÇÂO.



Um dos maiores problemas de animais com câncer é a caquexia ou perda involuntária e progressiva de peso. Esta acentuada perda de peso devida a alterações metabólicas da doença ou do tratamento, diminui a qualidade de vida do animal, diminui a resposta ao tratamento da doença e diminui o tempo de sobrevida do animal.

Pesquisas científicas em câncer desde a década de 90, vem demonstrando que uma nutrição baseada em baixa porcentagem de carbohidratos, alta proteína e gordura de boa qualidade são as mais indicadas, pois favorecem o metabolismo do doente e não o da célula tumoral. As células tumorais se alimentam de açucares provenientes dos carbohidratos. A alimentação industrializada disponível no mercado é baseada em grandes concentrações de carbohidratos (nutrientes mais baratos) e, portanto totalmente contra-indicada em animais com câncer.

COMPOSIÇÃO BÁSICA DA DIETA DO PET COM CÂNCER

Carbohidratos

Os carbohidratos constituem a fonte de energia mais abundante dos alimentos para animais de companhia, especialmente nas rações para cães. Como a glicose constitui o principal substrato energético do tecido neoplásico em crescimento, a estratégia consiste em forçar o tumor a utilizar outros substratos para contribuir na redução da proliferação celular. Durante a caquexia, pode ser importante proporcionar o aporte protéico complementar para tratar de atenuar o processo de caquexia. Por isso, resultaria útil eleger um alimento rico em gordura e proteínas e pobre em carbohidratos.

Carbohidratos incluem as frutas, vegetais, legumes e grãos. Os carbohidratos mais indicados no caso do câncer são os que contêm menos açucares ou baixos valores glicêmicos como brócolis, couve flor, couve de Bruxelas, vagens, repolhos, abobrinhas e batata yacon. Devem-se evitar batatas, batatas doces, mandiocas, abóboras e cenouras.

Apenas 20% do volume total de cada refeição ou menos, no caso dos portadores de câncer, deve estar constituído de carbohidratos.



Proteínas

As proteínas de origem animal parecem aportar aminoácidos mais importantes para cães e gatos do que as de origem vegetal. As altas concentrações de fitatos na soja, por exemplo, podem interferir na absorção adequada de cálcio, magnésio, iodo, ferro e zinco. Boas fontes de proteína animal devem ser utilizadas, como carnes e vísceras de bovinos, ovinos, suínos, aves, peixes e ovos. A utilização de laticínios e seus subprodutos é contra indicada por muitos autores, em indivíduos portadores de câncer.

Em alguns trabalhos científicos se têm demonstrado que o aumento da arginina na alimentação retarda a progressão do tumor (Milner et al,1979; Burns et al., 1984; Robinson et al., 1999). A arginina está presente em carnes, peixes, laticínios e nozes.Ainda resta determinar o mecanismo exato, mas o aporte de até 2% de arginina nas proteínas alimentares poderia ser beneficioso para o tratamento do paciente canino com câncer (Olgivie et al., 2000).

A glutamina também poderia ter efeitos supressores na carcinogênese. Parece ter um intenso efeito imunoestimulante, indutor de uma maior imunomodulação em todo o organismo, a qual reduziria as taxas de crescimento do tumor e das metástases (Souba, 1993; Kaufmann et al.,
2003). As fontes dse glutamina são as carnes, peixes, leite e derivados.

Alguns estudos em humanos sugerem que aminoácidos de cadeias ramificadas (AACR) como a leucina teria efeitos sobre o aumento da massa muscular e também no retardo do crescimento tumoral. Contudo, a ausência de publicações relacionadas na literatura veterinária ainda não nos permite indicar doses e efeitos seguros e eficazes na terapêutica cancerígena.



Ácidos graxos (gorduras)

Os ácidos graxos (gorduras) são importantes fontes de energia para o animal, sendo as carnes, os ovos, leites, queijos e iogurtes, suas fontes mais ricas. O óleo de peixe (não o de fígado de bacalhau), vendido em farmácias de manipulação ou casas de produtos naturais, são fonte riquíssima de ômegas 3, e têm sido muito utilizados na terapêutica do câncer, por seus efeitos anticancerígenos, com dose indicada de 1000mg (180 mg EPA e 120 mg de DHA) para cada 4,5 kg de peso, ao dia.
Na maioria dos alimentos industrializados para cães, as proporções de ômego 6 e ômega 3 estão numa faixa de 10:1 e 5:1 , quando o recomendado seria 1:1. Só se tem realizado um estudo clínico em cães, em que foi utilizado na proporção de 0,3:1, e os resultados demonstraram um aumento nos tempos de sobrevivência e dos períodos sem enfermidades em cães com linfoma, sem efeitos secundários discerníveis (Olgivie et al.,2000).

Atualmente alguns estudos clínicos em andamento tentam avaliar esta ação, mais precisamente em câncer animal, sendo que os dados ainda não publicados indicam que o óleo de peixe pode ser uma promessa para o tratamento de diferentes enfermidades neoplásicas. O óleo de borragem e de linhaça são os representantes vegetais mais ricos em ômega 3, podendo ser usados como fonte de energia e de ômegas.
Em doenças como pancreatite, insuficiência renal crônica e hipertrigliceridemia congênita, que cursam conjuntamente com o câncer, este elevado teor protéico e de gordura é contraindicado



Vitaminas e minerais

A administração suplementar de antioxidantes dietéticos como o beta-caroteno, os retinóides e as vitaminas C e E, se têm associado com um menor risco de carcinogênese em modelos animais e em uma série de estudos epidemiológicos. O único mineral com efeitos anticancerígenos similares é o selênio. A hipótese majoritária é que muitos destes compostos, exceto os retinóides, atuem principalmente como antioxidantes e reduzam o dano celular, em especial do DNA, limitando assim a incidência de mutações funcionais, o que tem como conseqüência uma menor incidência de câncer.

Até agora não se pode respaldar o uso indiscriminado destes antioxidantes como suplementos na medicina veterinária por causa das grandes diferenças quanto a padrões alimentares e ao metabolismo destas substâncias entre os pacientes veterinários e os pacientes humanos, restando-nos aguardar a conclusão de trabalhos em animais de companhia.

A vitamina C (ácido ascórbico) tem sido relacionada com um aumento dos efeitos de certos agentes quimioterápicos como a vincristina (Osmak et al., 1997).
Apesar dos suplementos de ácido ascórbico poderem ser úteis em alguns casos de resistência a quimioterapia, também se têm argumentado que seu uso poderia ter efeitos potencializadores do tumor em algumas neoplasias e atividade antineoplásicas em outras (Seifried et al., 2003; Lee et al., 2003). Não se tem levado a cabo estudos controlados para valorizar sua eficácia em cães e gatos. O cão sintetiza ácido ascórbico, pelo que se desconhece o risco relativo de câncer por carência deste produto ao longo da vida do animal.
Outro antioxidante potente, a vitamina E é necessária na alimentação e são necessárias mais investigações sobre sua eficácia como agente antineoplásico nos animais.


Essa delícia tem ácidos graxos bons, compostos anti-oxidantes e muito selênio!!!

O selênio é o único mineral com propriedades anticancerígenas e preventivas conhecidas. Existem dados conclusivos de que o incremento das concentrações de selênio no soro está relacionado com incidências menores de carcinomas de pele, pulmão e próstata em seres humanos (Clark et al., 1996; Nelson et al., 1999; Reid et al., 2002; Duffield-Lillico et al., 2003). A maior parte dos alimentos comerciais para cães cumpre o perfil de nutrientes recomendados pela AAFCO, mas as recomendações do NRC se têm triplicado recentemente, já que a ingestão de selênio de muitos animais de companhia poderia ser baixa ou insuficiente. A vista desta circunstância, e dos estudos clínicos realizados em seres humanos, que demonstram os maiores efeitos do aporte suplementar de selênio na redução do risco relativo de câncer em pessoas com concentração de selênio no soro normais (Clark et al., 1996; Nelson et al., 1999; Reid et al., 2002;
Duffield-Lillico et al., 2003), poderia ser sensato dar um suplemento (2-4 μg/kg de peso/día) aos animais com antecedentes de neoplasia ou com predisposição a desenvolver câncer. Fontes naturais de selênio como Castanha do Pará, gérmen de trigo, farelo de trigo, alho, podem ser utilizadas na alimentação

O aporte suplementar de antioxidantes (p. Ex., vitaminas E e C, beta-carotenos, polifenóis, selênio) é de grande interesse na prevenção do câncer em humanos mas ainda não está bem determinada em animais de companhia, devido a diferenças no metabolismo destas espécies. Alguns estudos em humanos indicam que a suplementação com antioxidantes deve ser evitada durante a quimioterapia ou a radioterapia pois poderia resultar beneficioso para a sobrevivência das células tumorais.

A indicação das proporções de nutrientes no caso da terapêutica nutricional do câncer em animais, por alguns autores, é de 60% de proteínas, 20% de gorduras e 20% de carbohidratos ou pequenas variações destas quantidades. Quando utilizamos alimentação natural, devemos também suplementar com um bom complexo vitamínico/mineral para complementar os nutrientes da dieta caseira.

A quantidade de alimento oferecido ao animal, ao dia deve ser de 2 a 3 % do seu peso, tanto com comida caseira quanto com dietas baseadas em alimentos crus. Só pra traçar um parâmetro comparativo, a quantidade de alimento caseiro é aproximadamente o dobro da refeição com ração. Os legumes devem ser cozidos por pouco tempo e/ou no bafo (batatas, mandiocas, mandioquinhas que não devem ser consumidos crus pois não digerem bem e podem ter efeitos tóxicos) e o restante utilizados crús sob a forma de purê, facilitando a ingestão pelo animal quando misturado ao restante do alimento (veja o vídeo em : http://www.youtube.com/watch?V=Qcd5ch4Ytb8 ).



A alimentação com ossos carnosos crus também é muito usada na terapêutica nutricional do câncer pois melhora em muito a palatabilidade do alimento, e praticamente exclui os carbohidratos da alimentação, apoiando-se basicamente na ingestão de carnes, ossos e vísceras ( acesse www.cachorroverde.com.br para maiores informações).

Toda e qualquer alteração alimentar deve ser feita gradualmente, principalmente em animais com doenças debilitantes e/ou caquetizantes, portanto consulte um médico veterinário para orientá-lo no assunto.

A palatabilidade do alimento é fator determinante no controle alimentar dos cães anoréxicos e caquéticos. Também a alta digestibilidade do alimento objetiva atingir o máximo benefício nutricional do cão. Além do que, comidinha feita com amor e carinho, não tem igual!!!!!!!

Instituir um plano nutricional adequado a cada enfermo e enfermidade amplia as nossas possibilidades terapêuticas, melhora nossos prognósticos e a sobrevida dos nossos pacientes.


NUTRACÊUTICOS E ALICAMENTOS



A utilização de alimentos que apresentam componentes com propriedades e efeitos medicamentosos sobre o organismo (chamados nutracêuticos, alicamentos ou alimentos funcionais), colaboram na prevenção e no tratamento de enfermidades. A utilização deste tipo de alimento na dieta diária do pet com câncer é citada por diversos veterinários holísticos em todo o mundo como um fator imprescindível na redução de alguns tumores, no impedimento da disseminação de outros, na desintoxicação relacionada a fatores carcinogênicos e na prevenção de outros mais. Tais alimentos também compensam desequilíbrios e desajustes alimentares através de componentes biologicamente ativos como leucotrienes, polifenóis, licopenos, antioxidantes, carotenóides e etc, além de agirem diretamente sobre a dinâmica da célula cancerígena.

Um aporte constante de alimentos ricos em compostos anticancerígenos é uma arma indispensável para combater e/ou impedir o desenvolvimento do Câncer.

Um alicamento anticancerígeno é todo alimento, seja fruta, legume, erva, bebida ou mesmo um produto de fermentação, que contem em grande quantidade, uma ou várias dessas moléculas com potencial anticancerígeno.

Diferentes compostos bioquímicos nos alimentos exercem diferentes ações sobre as células cancerígenas e os processos cancerosos:

Bloqueio da ação de substâncias cancerígenas: brócolis, repolho, alho, Ômega 3 ( atum branco,sardinha,salmão, cavala pequena ou óleo de peixe e óleo de linhaça ou borragem), morango, legumes crucíferos(couve, couve de bruxelas, couve flor, couve chinesa, brócolis)



No bloqueio da promoção do desenvolvimento da célula cancerosa: curcuma ou açafrão, chá verde, soja, uva, tomate, legumes crucíferos.



No bloqueio da progressão da célula cancerosa: mirtilo, morango, Ômega 3, cítricos, morango, frutas vermelhas, alho, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã.



Redução da angiogênese (formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores e facilitam as metástases): cúrcuma, gengibre, chá verde, legumes crucíferos, salsa, aipo, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)



Induz apoptose (morte celular programada)de células cancerosas: chá verde, cúrcuma, legumes crucíferos, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã; salsa, aipo, algas, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)



Aumentam imunidade: os cogumelos, Shiitake, Maitake, Enokitake, Cremini, Portobello



Efeito anti-inflamatório: alecrim, cúrcuma, salsa, aipo, cítricos (laranja, limão, tangerina, grapefruit ou pomelo), romã



NOTAS:

Legumes crucíferos não devem ser fervidos e sim utilizados crus ou no bafo. Pra cozinhar no bafo coloque os legumes na parte interna da tampa de uma panela, amarre com um pano de prato bem limpo e emborque sobre a panela com alguma água. Depois que a água ferver, deixe por no máximo 5 minutos e retire. Não se perdem nutrientes na água da fervura.



As moléculas ativas do alho são liberadas durante o esmagamento e são mais bem absorvidas se diluídas em azeite.



Os tomates devem ser cozidos (molho de tomate) e a absorção dos seus princípios, melhora com o azeite de oliva.



As refeições podem ser congeladas em porções próprias para as refeições (2 vezes ao dia seria o ideal). Retire do freezer no dia anterior e descongele na geladeira. Ingredientes como alho, ervas, azeites e suplementos vitaminicos devem ser colocados na hora de servir e não congelados.

CONCUINDO...

Estudos clínicos veterinários tem demonstrado que também se observam no cão algumas das anomalias metabólicas que se produzem em modelos de câncer em roedores e seres humanos, mas as pesquisas na área de nutrição veterinária são necessárias devido justamente às diferenças metabólicas entre as espécies.
Importante observar que a maior parte das pesquisas na área de nutrição são financiadas pelas indústrias de rações e que os resultados podem ser tendenciosos no que diz respeito à complexidade de uma simples refeição. Será que vamos ter que fazer doutorado em nutrição animal para podermos alimentar nossos pets? Parece ser isso o que os grandes fabricantes, o poderoso lobby da alimentação industrializada quer fazer parecer, portando fique bem atento pois há 20 anos atrás os nossos animais se alimentavam de comida caseira e não apresentava tantas doenças alérgicas, auto-imunes, neoplásicas e metabólicas complexas. O que víamos era no máximo um “raquitismozinho”, uma “seborréiazinha” seca que ao corrigirmos a alimentação modificand ou suplementando, tudo voltava ao normal. Hoje em compensação, os excessos de conservantes, aromatizantes, palatabilizantes, adoçantes, corantes, humectantes, texturizantes, espessantes, redutores de oxidação, antimicrobianos e sabe-se lá mais o que, presentes nas rações comerciais, são amplamente responsabilizados pelas “ites”, “oses” e “omas” dos nossos pets.



São necessários trabalhos clínicos mais extensos e controlados, que sabemos que podem não vir se dependermos unicamente da indústria farmacêutica que não possui verbas para despender com medicamentos não passíveis de patente, assim como a indústrias de ração só interessa custos de produção baixos e lucros altos.

Dá-lhe lavagem cerebral!!!

Portanto, resta a nós, profissionais da saúde, investigar, questionar e encontrar alternativas para melhorar as condições de saúde dos nossos pacientes, sejam eles peludos ou não.

Comida natural neles!!!!!




BIBLIOGRAFIA

XI Encontro de Homeopatia em Curitiba – 15 e 16 maio 2009 – Módulo I – Homeopatia nas Especialidades – Câncer e Homeopatia - Palestra proferida pelo Dr. Javier Salvador Gamarra

CLEMMONS, R.M. Integrative Treatment of Câncer in Dogs. Disponível em: http://neuro.vetmed.ufl.edu/neuro/AltMed/Cancer/Cancer_AltMed.htm . Acesso em 15/05/2009.

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OLSON, L. Nutrition for dogs with câncer. 2004. Disponível em http://www.b-naturals.com/newsletter/nutrition-for-dogs-with-cancer/ . . Acesso em 12.05.2009.

JÚNIOR, J.F. Curcumina e Câncer : antiproliferativo, antiapoptótico, antiangiogênico e antimetastático.
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JÚNIOR, J.F. Óleo de peixe ômega-3 e câncer: diminuição da proliferação celular maligna, aumento da apoptose, indução da diferenciação celular e diminuição da neoangiogênese tumoral. Disponível em:
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BRUNETTO, M.A. et all. Imunonutrição: o papel da dieta no restabelecimento das defesas naturais. 2007. Disponível em:
http://www.ufrgs.br/actavet/35-suple-2/04-ANCLIVEPA.pdf
Acesso em 02/01/2009.

ROYAL CANIN. Enciclopédia de la Nutricion Clinica Canina. Disponível somente a médicos veterinários, em: http://www.ivis.org/search/recent.asp?LA=2 . Acesso desde 2007.



NA PRÓXIMA POSTAGEM DE CÂNCER FALAREMOS DOS TRAMENTOS COM CAM (MEDICINA COMPLEMENTAR ALTERNATIVA)
Até lá!

ESPIRRO REVERSO

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VANTAGENS DO USO DA HOMEOPATIA EM VETERINÁRIA:

Não requer experimentação cruenta em animais

Não utiliza drogas de elaboração
industrial, artificial, tóxicas e/ou contaminantes

Pode prescindir de vacinas ou outros
meios artificiais para a prevenção das chamadas enfermidades contagiosas,
evitando assim, muitas vezes, sérios efeitos colaterais negativos

Promove terapêuticamente e favorece
ideológicamente mudanças de atitude vital, tanto dos pacientes quanto dos
terapêutas e cuidadores, ajudando na construção de um mundo melhor.

Custo baixíssimo!

Trata surtos epidêmicos em populações tanto
de forma profilática quanto terapêutica.

Ao reequilibrar a energia vital do enfermo,
Atua sobre o organismo como um todo (holos) melhorando não só os sintomas
físicos como também os mentais, melhorando as relações com o ambiente, os
sofrimentos, os medos, etc.