Domingo, 5 de Julho de 2009

DIETA VEGETARIANA PARA CÃES

Você é vegetariano ou vegano e está preocupado com a alimentação do seu cão? Não se preocupe pois existem formas de alimentar o seu cão seguindo os seus padrões alimentares. O site cachorroverde apresenta um texto gostoso de ler com 7 cardápios balanceados e diferentes, com explicações importantíssimas para que o seu cão não sofra com a mudança alimentar. Reproduzo abaixo o texto mas recomendo uma visita ao site ( http://www.cachorroverde.com.br ), recheado de excelentes informações nutricionais....Vamos à leitura:

DIETA VEGETARIANA PARA CÃES



Preocupadas com a própria saúde, com o meio ambiente e com as condições em que animais como vacas, galinhas e porcos são criados, muitas pessoas se tornam vegetarianas ou vegans/veganos. Só para esclarecer: vegetarianos excluem carnes de suas dietas, mas podem ou não incluir ovos e/ou leite e seus derivados. Já os vegans não consomem absolutamente nada que seja de origem animal.
Nada mais natural que o adepto desse estilo de vida queira estendê-lo ao seu melhor amigo! É o seu caso? Confira o guia abaixo e veja como é gostoso e prático preparar em casa refeições “verdes” saudáveis e criteriosas.

É possível oferecer uma dieta vegetariana caseira para cães?

Conforme respondi a todos os vegetarianos que nos enviaram e-mails, sim, isso é perfeitamente possível. O Cachorro Verde ( http://www.cachorroverde.com.br ), assim como os precursores das dietas naturais, consideram o cão um animal essencialmente carnívoro, tendo em vista os hábitos alimentares dos canídeos na Natureza.
Mas a Literatura Veterinária define o cão como um onívoro oportunista. Isso significa que o organismo do cão, de forma semelhante ao do ser humano, pode se adaptar para obter nutrientes essenciais a partir de uma ampla variedade de alimentos. Desde que cuidadosamente formulada e acompanhada por um médico-veterinário, a dieta caseira vegetariana não trará prejuízos à saúde do cão.
“Devo optar por dieta caseira ou outro tipo de alimentação vegetariana?”
Dietas caseiras oferecem inúmeras vantagens:

* frescor e qualidade dos ingredientes;
* reduzido teor de aditivos;
* maior teor de água;
* alta digestibilidade;
* baixo risco de torção gástrica;
* alta palatabilidade;
* presença de nutrientes muito biodisponíveis (“aproveitáveis” pelo organismo).


Se você dispõe de tempo para fazer compras periódicas de alimentos e suplementos e não se importa de cozinhar ou preparar as refeições de seu cão, ótimo. Você vai tirar de letra a alimentação caseira.
Na verdade, não é nenhum bicho de sete cabeças preparar as receitas vegetarianas. Mas é preciso ter comprometimento e seguir as orientações. Como se trata de uma dieta restritiva, ou seja, com menos grupos alimentares, deficiências ou excessos nutricionais podem ocorrer mais facilmente. Para evitar que isso aconteça você precisará variar bastante os ingredientes e acrescentar determinados suplementos à dieta.
Se você acha que não dará conta, opte por outro tipo de dieta vegetariana. É indiscutivelmente preferível oferecer uma dieta comercial, que supre os requerimentos nutricionais, a oferecer refeições vegetarianas caseiras desbalanceadas.

E que tal uma dieta caseira vegan para cães (sem alimento algum de origem animal)?

Dietas vegans para pets existem mas são controversas. Cães e gatos não são herbívoros e uma alimentação ainda mais restritiva que a vegetariana pode trazer problemas. É o que relata o médico-veterinário norte-americano Martin Goldstein em seu ótimo livro The Nature of Animal Healing. (Ele atendeu uma Pastora Alemã, de nome Vegan – criada à base de vegetais desde filhote – dona de uma crescente e incontrolável agressividade que morreu relativamente jovem de câncer mamário.)
Abaixo, o comentário feito pelo Dr. Richard Pitcairn PhD, veterinário vegetariano com experiência de 40 anos em clínica de cães e gatos e autor do livro Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs & Cats:
“Observo que na maioria das vezes os problemas tendem a aparecer quando os proprietários excluem da dieta todo e qualquer alimento de origem animal, incluindo ovos, leite e seus derivados. As pessoas podem viver bem com uma dieta vegan cuidadosamente elaborada, mas eu não a recomendaria para cães – e muito menos para os gatos.”

Ué, mas se faltam nutrientes, não podemos simplesmente adicioná-los à dieta na forma de suplementos? Sim, e isso é feito. O problema é que os nutrientes sintéticos ou industrializados simplesmente não têm o mesmo valor biológico dos mesmos nutrientes in natura, no alimento. Leia mais sobre isso aqui. Ainda não conhecemos a fundo os requerimentos de micronutrientes dos pets. Tampouco identificamos todas as propriedades presentes nos alimentos e suas possíveis interações.
Todos os anos novos elementos nutricionais são descobertos ou re-descobertos. Negar todo e qualquer alimento de origem animal aos cães pode levá-los a uma carência nutricional desconhecida. E ainda existe a questão da palatabilidade (sabor). Pode ser bastante difícil acostumar cães e gatos – principalmente adultos – a aceitar as dietas vegans caseiras.
Se você é vegan, considere a possibilidade de oferecer ao seu cão uma alimentação caseira vegetariana. É uma opção considerada mais segura por ser menos restritiva que a dieta vegan.



É preciso adicionar taurina à dieta vegetariana?
Quando se pensa em taurina, se pensa em gatos. Para os felinos a ingestão desse aminoácido é de suma importância para a saúde cardiovascular e dos olhos. Isso ocorre porque o fígado dos gatos não consegue produzir taurina a partir dos aminoácidos cistina e metionina e da vitamina B6, como faz o fígado do cão. O felino precisa ingerir a taurina já pronta. E taurina desse jeito só existe em tecidos de animais; em especial no coração, nos olhos e na musculatura, preferencialmente crus.
Entretanto, estudos nutricionais recentes revelaram que a taurina presente na carne também pode ser necessária para a saúde cardiovascular dos cães, em especial dos de porte grande e gigante.
Em 2003, os pesquisadores da universidade norte-americana UC Davis publicaram informações sobre pesquisas feitas com cães de raças grandes que apresentavam uma doença chamada cardiomiopatia dilatada que leva à insuficiência cardíaca. Foi encontrada uma associação direta entre essa afecção e a deficiência de taurina na dieta.

Cadelas prenhes e lactantes podem comer a dieta vegetariana? E os filhotes?
Ainda não dispomos de um cardápio vegetariano para filhotes, fêmeas prenhes e lactantes. Mas neste endereço ( http://www.vegsoc.org/ ) você encontra (em inglês) um cardápio para filhotes aprovado pelos membros da mais antiga organização vegetariana do mundo, The Vegetarian Society of the United Kingdom (A Sociedade Vegetariana do Reino Unido).
E para os cães de trabalho e atletas? Estes podem obter mais energia por meio de aumento das porções (e da freqüência com que são servidas); do uso de vegetais ricos em carboidratos como batata, mandioquinha, inhame, e de frutas como a banana (de preferência com a casca); e/ou da inclusão regular de um mingau de cereais, etc.

Adaptação do cão adulto à nova dieta

Se você oferece outro tipo de dieta, vá acrescentando aos poucos os alimentos indicados nas receitas vegetarianas até que, passados alguns dias, você esteja oferecendo 100% do novo cardápio. Isso fará com que os sentidos e o trato digestório do cão se acostumem gradativamente com os novos cheiros, sabores e ingredientes. Há pessoas, entretanto, que mudam a dieta de seus cães da noite para o dia e não relatam problemas.
Variar é preciso; além de fornecer uma ampla gama de nutrientes, a variação evita que o cão enjoe da comida. Descubra quais são os alimentos vegetarianos que seu cão mas gosta e use-os com maior freqüência. Valorize a comida, fazendo festa antes e depois de cada refeição. Não ofereça ingredientes “passados”; cheiros, sabores e texturas ruins podem fazer os cães recusarem a comida.
Vale acrescentar “molhos” ou pedacinhos de coisas gostosas e nutritivas às refeições, como levedura de cerveja (salpicada feito queijo ralado), proteína de soja texturizada, molho de soja tamari – esses três itens são ricos em vitaminas do complexo B - ou pedacinhos de maçã, de queijo branco, etc.
Como saber se o cão está saudável comendo a nova dieta
Ao desconfiar de qualquer alteração, leve o animal ao médico-veterinário. Diarréias e vômitos persistentes, coceiras e afecções de pele podem ser sinal de alergia alimentar. Com orientação do médico-veterinário, tente identificar e excluir da dieta os alimentos suspeitos. Se estiver tudo bem com o cão, ótimo. Mas não deixe de levá-lo periodicamente ao veterinário.

Preparo dos vegetais

Há vegetais que podem ser oferecidos crus, como a beterraba, a cenoura, o pimentão, o brócolis, a couve-flor, a ervilha torta e a vagem. Mas devem ser liquidificados com um pouquinho de água para facilitar a digestão e a absorção dos nutrientes. Já tubérculos como batatas, batata doce, mandioquinha e inhame devem sempre ser oferecidos cozidos. Fique de olho no relógio. Cozinhar legumes por mais de 15 minutos destrói fibras e importantes micronutrientes.
Se possível, ofereça tanto legumes crus quanto cozidos. Vegetais crus são mais nutritivos e contêm bastante fibra, ao passo que os cozidos são mais gostosos, calóricos e digestíveis.

Fontes vegetarianas de proteína, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais

Proteína: as melhores fontes são queijos, ovos, grãos de soja, farinha de soja, tofu e proteína de soja. Outras fontes incluem leguminosas (lentilhas, feijões, quinua), cereais integrais e gérmen de trigo, sementes de girassol, gergelim, côco, castanha e nozes - com exceção das macadâmias. Observação: sempre que for possível combine duas ou mais fontes protéicas, já que os alimentos apresentam diferentes teores e tipos de aminoácidos.

Gordura e óleos: manteiga, margarinas, queijos, ovos, azeitonas, azeite de oliva, gérmen de trigo, nozes, óleo de girassol, óleo de milho, óleo de linhaça, óleo de soja, óleo de canola, etc.

Carboidratos: cereais e seus derivados (farinhas, pães), bananas, castanha de caju, leguminosas, pêras, frutas secas (evitar passas), batata, mandioquinha.

Fibras: legumes, frutas, cereais integrais, pães e leguminosas (feijão, quinua, lentilha).

Vitaminas
Vitamina A: na forma de vitamina A – margarina, manteiga, leite, queijo e ovos. Na forma de precursores (carotenos) – cenouras e vegetais verdes.
Observação: para os cães, o caroteno tem metade do valor nutricional da vitamina A.
Vitamina D: na forma de vitamina D – margarina, manteiga, ovos e leite. Na forma de seu precursor, que é convertido em vitamina D pela ação dos raios solares na pele do animal: vegetais de folhas escuras, gérmen de cereais e levedura de cerveja.
Vitamina E: gérmen de cereais (especialmente o óleo de gérmen de trigo e o óleo de girassol), vegetais de folhas verdes (repolho, espinafre, alface).
Vitamina K: vegetais de folhas escuras.
Vitaminas do complexo B (com exceção da B12): levedura, cereais integrais, gérmen de cereais, bran, ovos, legumes diversos, nozes. Observação: trata-se de um complexo facilmente destruído por ação do calor (cozimento).
Vitamina B12: leite de soja fortificado, queijo, algumas proteínas vegetais texturizadas (verifique o rótulo), leite.
Vitamina C: brotos frescos, couve, couve-galega, couve-flor, brócolis, repolho, frutas cítricas, morangos, tomates, pimentões verdes.

Probiótico: Iogurte e queijos

Observações: a vitamina C não é um requerimento essencial para os cães, uma vez que o organismo deles – diferentemente do nosso - consegue produzir essa vitamina. No entanto, alguns pesquisadores sugerem que a síntese (“fabricação”) de vitamina C dos cães alimentados com dietas de baixa proteína pode não ser tão eficiente. E como os cães de vida urbana estão sujeitos à poluição e ao estresse, oferecer uma fonte extra de vitamina C, um poderoso antioxidante, nunca é demais.

Minerais

Cálcio: boas fontes incluem o queijo, o iogurte e o gergelim. Mas o cálcio também está presente em menor quantidade nas amêndoas, figos secos, pepino, feijão, limão, leite, tangerina, alho-poró, couve, alface, couve-flor, almeirão, aipo, amendoim.
Alimentos com bom equilíbrio cálcio:fósforo – queijo, iogurte, feijão, ervilhas maduras, lentilhas, ovos, couve, couve-de-Bruxelas, figos secos, leite, couve-flor, salsão, alface, banana, laranja, amendoim, amêndoas e avelã.
Alimentos com pouco cálcio em relação ao fósforo – cereais e seus derivados, pães e farinha. Observação: esses alimentos precisam ser oferecidos juntamente com alimentos ricos em cálcio de modo a prevenir deficiências desse mineral. O ácido fítico presente nos cereais também reduz a absorção de cálcio. Deixar os grãos “de molho” em uma cuba com água durante a noite e acrescentar umas gotinhas de limão ativa enzimas que quebram o ácido fítico. A vitamina D também é um fator essencial para a absorção de cálcio.
Ferro: painço, salsão, cream cheese (requeijão), tangerina, espinafre, frutas variadas, legumes em geral, nozes, cereais integrais.
Iodo: algas, ovos, fucus, centeio e trigo integral e alface.

Outros minerais: desde que a dieta contenha uma ampla variedade de vegetais, cereais, frutas, nozes, leite, queijos e ovos, minerais importantes não ficarão de fora.

Alimentos que devem ser evitados: macadâmias, passas, uvas, cebola, chocolate (ao leite e amargo), pimenta e alimentos apimentados.

Observações importantes antes de começar

Ferro e suplemento multi-vitamínico e mineral: Alguns veterinários naturalistas recomendam suplementar as dietas vegetarianas dos cães com complexos multi-viamínicos-minerais de modo a evitar deficiências. Dietas sem carne são suspeitas de levar os cães a uma deficiência de ferro. Isso porque o ferro de origem vegetal não é absorvido pelo organismo canino com a mesma facilidade que o ferro presente nas carnes. Algumas maneiras de driblar esse risco:

* Oferta regular painço cozido – grão muito rico em ferro;
* Prefira ovos caipiras (orgânicos). Quando produzido de forma natural o ovo é outra boa fonte desse mineral;
* Oferta diária de ferro ou complexo vitamínico-mineral para cães.


O requerimento mínimo diário de ferro, de acordo com as diretrizes do National Research Council (http://dels.nas.edu/dels/rpt_briefs/dog_nutrition_final.pdf ) para um cão com 16,5 quilos é de 7,5 miligramas por dia. Se optar pelo complexo vitamínico-mineral, consulte o rótulo ou a bula para descobrir a dosagem diária que seu cão deve receber.



“Pó Saudável”

Uma dica opcional para qualquer dieta canina ou felina – vegetariana ou onívora – é a adição de Pó Saudável (Healthy Powder). Trata-se de uma receitinha do Dr. Richard Pitcairn elaborada com intuito de incluir valiosos micronutrientes às refeições dos pets. Anote aí:

2 xícaras de levedura de cerveja em pó
1 xícara de grânulos de lecitina
¼ de xícara de pó de fucus
2 colheres de sopa de pó de casca de ovo (fonte de cálcio)
1.000mg de vitamina C moída ou ¼ de colher de chá de ascorbato de sódio (opcional)

Diariamente (ou regularmente) ofereça:
1 colher de café rasa para cães de porte pequeno
1 colher de chá rasa para cães de porte médio
1 colher de sobremesa rasa para cães de porte grande
1 colher de sobremesa cheia para cães de porte gigante

Os ingredientes do Pó Saudável podem ser encontrados em lojas de produtos naturais, supermercados elitizados, farmácias de manipulação e em algumas drogarias. Você pode ainda mandar manipulá-los com prescrição veterinária. Já o pó de casca de ovo (fonte natural de cálcio) você pode fazer em casa. É fácil e grátis. Basta deixar algumas cascas de ovo no forninho elétrico ou convencional em temperatura média por 10 minutos, e em seguida triturá-las no liquidificador até obter um pó bem fino.

Como conservar os nutrientes dos suplementos
Guarde o Pó Saudável, o suplemento de ferro ou o frasco de comprimidos multi-vitamínicos-minerais em lugar limpo, fresco e de preferência abrigado da luz solar. Antes de acrescentar os suplementos à refeição, espere a comida esfriar. O calor pode anular as frágeis propriedades nutricionais. A única exceção a essa regra é o pó de casca de ovo, que pode ser adicionado à comida quente ou fria.
Óleos vegetais – com exceção do azeite de oliva - devem ser armazenados na geladeira, para que os ácidos graxos não percam valor nutricional por oxidação.
Petiscos para a higiene dos dentes
Dietas predominantemente cozidas, sem alimentos duros, não estimulam a mastigação ou o ato de roer. Assim sendo, não contribuem com a limpeza dos dentes e das gengivas dos cães, predispondo-os à formação de cálculo (“tártaro”) dentário. É possível retardar esse processo oferecendo diariamente alimentos como cenoura crua inteira, maçã crua, biscoitos caseiros para cães que sejam bem durinhos, e brinquedos como ossos feitos de nylon (à venda em pet shops).

Como preparar as receitas
Abaixo você encontra sete receitas vegetarianas para cães adultos saudáveis. Se o animal apresenta alguma doença de controle alimentar (insuficiência renal, diabetes, etc), consulte seu médico-veterinário para saber se a dieta vegetariana pode ser mantida.
No lugar de um cardápio semanal propriamente dito, abaixo você encontra sete receitas. Com exceção da primeira (Mingau de Aveia/Musli), que deve ser oferecida como refeição principal até duas vezes por semana (salvo se oferecida como lanche para cães muito ativos), as demais receitas podem ser servidas com maior freqüência.
Algumas receitas rendem porções muito generosas, permitindo o preparo de refeições para muitos dias. Você pode preparar no mesmo dia duas ou três receitas e separar as porções em tupperwares para serem congeladas. Deste modo é possível variar regularmente a alimentação. Se você tem poucos cães ou cães de pequeno porte, prepare essas receitas reduzindo pela metade (ou até mais) a quantidade indicada para cada ingrediente.

Quanto oferecer de cada receita ao cão
Depende muito. Fatores como grau de atividade física do cão, metabolismo, genética, idade e saúde influenciam na quantidade de alimentos que ele deve receber diariamente. Para fins ilustrativos calculamos as porções para cães com cerca de 7 quilos de peso. Tente chegar à quantidade que seu cão deve comer a partir desse exemplo.
A regrinha da porcentagem sugerida aqui também pode ser aplicada. Os cães adultos devem comer de 1,5 a 3,5% em média de alimentos por dia. Mas não tem segredo. Ofereça uma certa quantidade dentro dessa porcentagem (por exemplo, 2,5% do peso do animal) e monitore a forma física dele. Engordou? Ofereça uma porcentagem maior. Emagreceu? Reduza as porções.

Receitas vegetarianas para cães

Mingau de aveia / Musli (sem passas)
Trata-se de um prato de mingau de aveia ou de cereais (tipo Musli) com leite diluído (para não causar diarréia) que pode ser servido até duas vezes por semana no almoço ou no jantar do cão. No caso de cães atletas ou abaixo do peso, o mingau pode ser oferecido como lanche, diariamente. Se o animal não for diabético e não estiver gordinho, pode acrescentar uma colher de mel, melaço ou açúcar. Rende uma refeição para um cão com cerca de 7 quilos.



Preparo do mingau de aveia:
Em uma panela acrescente três colheres de sopa de aveia em flocos, mais 120mL de leite desnatado e a mesma quantidade de água filtrada. Após a fervura, deixe cozinhar por três a cinco minutos. Sirva morno ou frio.

Preparo do Musli (sem passas) com leite:
Na tigela do cão coloque de três a quatro colheres de sopa de cereais, mais a mesma quantidade de água e de leite citada acima. Mexa e sirva frio ou gelado.
Obs: Acrescente 125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
2 Queijos
Prática, essa nutritiva receita não exige cozimento e pode ser oferecida várias vezes por semana. Rende uma refeição para um cão com cerca de 7 quilos.
30 gramas de queijo cottage light
30 gramas de queijo ralado (qualquer tipo)
2 fatias de pão integral
40 gramas de legumes liquidificados, crus (ou cozidos, inteiros)
1 colher de sopa rasa de óleo de canola
1/5 de dente de alho cru
½ colher de chá de levedura de cerveja
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico, pó saudável)



Delícia de tofu
Outra saborosa receita que pode ser oferecida várias vezes por semana. Rende quatro refeições para um cão com cerca de 7 quilos.
100 gramas de tofu enriquecido com sulfato de cálcio, frito
20 gramas de queijo minas cortado em cubos
2 xícaras de feijão cozido
1 xícara e ½ de arroz integral cozido
2 colheres de sopa de óleo de girassol
1 ½ colher de chá de levedura de cerveja
½ dente de alho cru
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico, pó saudável)



Polenta suculenta
Eis uma receita que os cães adoram! Prepare o avental porque você vai, literalmente, pôr as mãos na massa! Rende cerca de 5 ½ xícaras ou pouco mais de 2 refeições para um cão com aproximadamente 7 quilos de peso.
½ xícara de leite em pó + 4 xícaras de água (ou um total de 4 xícaras de leite desnatado)
1 xícara de farinha de milho ou fubá de milho (cru)
2 ovos grandes, batidos
½ xícara de queijo ralado
¼ de colher de chá de pó de casca de ovo
½ colher de sopa de pó saudável
1 colher de chá de óleo vegetal
½ xícara de legumes (ralados e crus, crus e liquidificados ou cozidos)
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: em uma panela, ferva o leite em pó e a água (se estiver usando somente leite, mexa o tempo todo para evitar que queime). Acrescente o fubá rapidamente e mexa até obter uma mistura de textura lisa. Cubra a panela e diminua o fogo por 10 minutos, até que o fubá esteja macio e grudento. Com o fubá ainda quente, adicione os ovos e o queijo. Deixe esfriar um pouco e acrescente os demais ingredientes.
Substitutos para os grãos: 1 xícara de painço (+ 3 xícaras de água = 3 xícaras cozido); 1 xícara de cuscuz de trigo integral (+ 1 ½ xícaras de água = 2 ½ xícaras cozido); 2 xícaras de aveia crua (+ 4 xícaras de água = 4 xícaras de mingau aveia).



Feijões à Caçarola
Outro prato delicioso que pede um tempinho na cozinha, essa receita possui a vantagem de render muitas porções (17 a 18 xícaras ou 9 refeições para um cão com 7 quilos), o que a torna uma opção interessante para canis.
4 xícaras de feijão cru (ou 10 xícaras de feijão cozido)
3 xícaras de leite integral
1 xícara de farinha de milho ou fubá de milho
2 xícaras de queijo cheddar ralado
4 ovos grandes
2 colheres de sopa de óleo vegetal
¼ de xícara de pó saudável
2 ¾ colheres de chá de pó de casca de ovo
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: 1 a 2 xícaras de vegetais (crus e liquidificados, ou cozidos)
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: deixe os feijões na água durante a noite na véspera. Retire a água, lave-os e descarte os feijões quebrados ou com defeitos. Ferva os feijões em 8 a 10 xícaras de água. Deixe cozinhar, com a panela tampada por 1 ½ horas ou até que você consiga retirar a casca do feijão. (Para evitar que o cão apresente gases – descarte a água usada para o cozimento após a primeira meia hora e complete com água nova para a hora restante.) Enquanto espera, prepare a cobertura de fubá. Ferva o leite. Gradualmente acrescente a farinha ou fubá de milho, mexendo com o garfo. Cubra e asse até ficar macio, por cerca de 10 minutos. Retire do fogo e acrescente o queijo e os ovos. Após a mistura ter esfriado, acrescente os ingredientes restantes e sirva. Congele tudo o que não puder ser comido em três dias.



Omelete + grãos
Esse prato fácil de preparar tem como base protéica os ovos. Os ovos são uma fonte econômica de proteína e contêm generosos teores de gordura e lecitina, um nutriente essencial para a saúde neurológica. Para tornar essa receita ainda mais completa, procure em lojas de produtos naturais um pó protéico sem sabor à base de lactoalbumina e albumina de ovos. Rende 5 xícaras ou pouco mais de duas refeições para um cão com aproximadamente 7 quilos.
1 xícara de triguilho
4 ovos
1 colher de sopa de salsinha picada ou ½ xícara de legumes cozidos
3 colheres de sopa de pó protéico
2 colheres de pó saudável
3 colheres de sopa de óleo vegetal (recomendação: óleo de linhaça)
1 colher de chá cheia de pó de casca de ovo
1 dente de alho amassado (opcional)
½ colher de chá de molho de soja tamari ou uma pitada de sal
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: ferva 2 xícaras de água. Acrescente o triguilho, cubra e reduza o fogo deixando cozinhar até que os grãos estejam macios, por 10 a 20 minutos. Misture os ovos e mexa-os enquanto o triguilho ainda está quente. Deixe esfriar, acrescente os ingredientes restantes e sirva.



Grãos substitutos: 1 xícara de painço (+ 3 xícaras de água = 3 xícaras cozidas); 1 xícara de cuscuz de trigo integral (+ 1 ½ xícaras de água = 2 ½ xícaras cozidas); ou 2 xícaras de aveia crua (+ 4 xícaras de água = 4 xícaras de mingau de aveia).
Ferro Extra
Rende 14 xícaras ou cerca de 5 refeições para um cão de aproximadamente 7 quilos.
2 xícaras de feijão (ou 5 xícaras de feijão cozido)
2 xícaras de painço (ou 6 xícaras de painço cozido)
4 xícaras de queijo cottage light
6 colheres de sopa de óleo vegetal
4 colheres de sopa de pó saudável
3 colheres de chá cheias de pó de casca de ovo
½ xícara de cenouras cozidas, brócolis, ou ervilha (opcional)
2 colheres de chá de molho de soja tamari (ou 1/2 colher de chá de sal)
1 a 2 dentes de alho amassados ou picados (opcional)
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Preparo: deixe os feijões na água durante à noite, na véspera do preparo. Retire a água, lave e descarte feijões quebrados ou estragados. Ferva os feijões em 6 a 8 xícaras de água. Deixe cozinhar, com a panela tampada, por 1 ½ hora ou até que a casca esteja mole. (Para reduzir os gases intestinais, descarte a água após meia hora de cozimento e acrescente água fresca para deixar os feijões cozinharem por mais 1 hora). Enquanto isso prepare o painço. Ferva seis xícaras de água. Acrescente o painço, cubra a panela e deixe cozinhar no fogo baixo por 20 a 30 minutos, até que fique macio. Combine o feijão e o painço quando ambos estiverem prontos. Espere esfriar, acrescente os demais ingredientes e sirva.
Substitutos: Grãos - triguilho, arroz integral e cevada (2 xícaras crus).
Feijões: lentilhas, grão de soja, feijão preto ou feijão branco.



“Croquetinhos” caseiros vegetarianos
Receita interessante, que permite a você preparar em casa saudáveis “grãos” (pellets) vegetarianos para cães.
4 xícaras de grãos diversos (pelo menos três diferentes. exemplo: aveia, cevada e painço)
2 xícaras de farinha de arroz
1/2 xícara de farinha de trigo integral
1 colher de sopa rasa de pó de casca de ovo
1 colher de sopa de levedura de cerveja
1 colher de sopa de fucus
1 colher de sobremesa de óleo de fígado de bacalhau (opcional)
Meia xícara de óleo vegetal
4 ovos
125mg de taurina para cada 5kg de peso do cão
Opcional: outros suplementos (ferro, complexo vitamínico)
Misture todos os ingredientes muito bem, e então acrescente os ingredientes molhados e misture até deixar tudo úmido. Com uma colher de chá pingue meia colher dessa mistura em forminhas de biscoito untadas e asse a 180 graus por trinta minutos. Remova do forno quando estiver dourado.



Referências bibliográficas (e sugestões para consulta)
Sites
* Veggie Pets (http://www.veggiepets.com/ )
* Vegetarian Food (http://www.vegetarianfood.com.au/pets.htm )
* VegPets (http://www.vegpets.com/ )
* Sociedade Vegetariana Brasileira (http://www.svb.org.br/vegetarianismo/ )
* The Vegetarian Society of the United Kingdom (http://www.vegsoc.org/ )
* National Research Council (http://dels.nas.edu/dels/rpt_briefs/dog_nutrition_final.pdf )

Livros
* Canine Nutrition - What Every Owner, Breeder and Trainer Should Know. D.V.M. Lowell Ackerman. 1999
* Dr. Pitcairn’s Complete Guide of Natural Health for Dogs & Cats. D.V.M., PhD, Richard Pitcairn. 2005
* Natural Health Bible for Dogs and Cats. D.V.M. Shawn Messonnier - 2001
* The Nature of Animal Healing. D.V.M. Martin Goldstein - 1999
* Food Pets Die For. Ann Martin - 2008

Texto publicado em 2 de novembro de 2008 por Sylvia Angélico em www.cachorroverde.com.br

Domingo, 14 de Junho de 2009

NUTRIÇÃO E CÂNCER

PREVENINDO E TRATANDO O CÂNCER COM ALIMENTAÇÃO ADEQUADA

Dando sequência às postagens sobre câncer, vamos falar do que, ao meu ver, seria a parte mais importante do tratamento: BOA ALIMENTAÇÂO.



Um dos maiores problemas de animais com câncer é a caquexia ou perda involuntária e progressiva de peso. Esta acentuada perda de peso devida a alterações metabólicas da doença ou do tratamento, diminui a qualidade de vida do animal, diminui a resposta ao tratamento da doença e diminui o tempo de sobrevida do animal.

Pesquisas científicas em câncer desde a década de 90, vem demonstrando que uma nutrição baseada em baixa porcentagem de carbohidratos, alta proteína e gordura de boa qualidade são as mais indicadas, pois favorecem o metabolismo do doente e não o da célula tumoral. As células tumorais se alimentam de açucares provenientes dos carbohidratos. A alimentação industrializada disponível no mercado é baseada em grandes concentrações de carbohidratos (nutrientes mais baratos) e, portanto totalmente contra-indicada em animais com câncer.

COMPOSIÇÃO BÁSICA DA DIETA DO PET COM CÂNCER

Carbohidratos

Os carbohidratos constituem a fonte de energia mais abundante dos alimentos para animais de companhia, especialmente nas rações para cães. Como a glicose constitui o principal substrato energético do tecido neoplásico em crescimento, a estratégia consiste em forçar o tumor a utilizar outros substratos para contribuir na redução da proliferação celular. Durante a caquexia, pode ser importante proporcionar o aporte protéico complementar para tratar de atenuar o processo de caquexia. Por isso, resultaria útil eleger um alimento rico em gordura e proteínas e pobre em carbohidratos.

Carbohidratos incluem as frutas, vegetais, legumes e grãos. Os carbohidratos mais indicados no caso do câncer são os que contêm menos açucares ou baixos valores glicêmicos como brócolis, couve flor, couve de Bruxelas, vagens, repolhos, abobrinhas e batata yacon. Devem-se evitar batatas, batatas doces, mandiocas, abóboras e cenouras.

Apenas 20% do volume total de cada refeição ou menos, no caso dos portadores de câncer, deve estar constituído de carbohidratos.



Proteínas

As proteínas de origem animal parecem aportar aminoácidos mais importantes para cães e gatos do que as de origem vegetal. As altas concentrações de fitatos na soja, por exemplo, podem interferir na absorção adequada de cálcio, magnésio, iodo, ferro e zinco. Boas fontes de proteína animal devem ser utilizadas, como carnes e vísceras de bovinos, ovinos, suínos, aves, peixes e ovos. A utilização de laticínios e seus subprodutos é contra indicada por muitos autores, em indivíduos portadores de câncer.

Em alguns trabalhos científicos se têm demonstrado que o aumento da arginina na alimentação retarda a progressão do tumor (Milner et al,1979; Burns et al., 1984; Robinson et al., 1999). A arginina está presente em carnes, peixes, laticínios e nozes.Ainda resta determinar o mecanismo exato, mas o aporte de até 2% de arginina nas proteínas alimentares poderia ser beneficioso para o tratamento do paciente canino com câncer (Olgivie et al., 2000).

A glutamina também poderia ter efeitos supressores na carcinogênese. Parece ter um intenso efeito imunoestimulante, indutor de uma maior imunomodulação em todo o organismo, a qual reduziria as taxas de crescimento do tumor e das metástases (Souba, 1993; Kaufmann et al.,
2003). As fontes dse glutamina são as carnes, peixes, leite e derivados.

Alguns estudos em humanos sugerem que aminoácidos de cadeias ramificadas (AACR) como a leucina teria efeitos sobre o aumento da massa muscular e também no retardo do crescimento tumoral. Contudo, a ausência de publicações relacionadas na literatura veterinária ainda não nos permite indicar doses e efeitos seguros e eficazes na terapêutica cancerígena.



Ácidos graxos (gorduras)

Os ácidos graxos (gorduras) são importantes fontes de energia para o animal, sendo as carnes, os ovos, leites, queijos e iogurtes, suas fontes mais ricas. O óleo de peixe (não o de fígado de bacalhau), vendido em farmácias de manipulação ou casas de produtos naturais, são fonte riquíssima de ômegas 3, e têm sido muito utilizados na terapêutica do câncer, por seus efeitos anticancerígenos, com dose indicada de 1000mg (180 mg EPA e 120 mg de DHA) para cada 4,5 kg de peso, ao dia.
Na maioria dos alimentos industrializados para cães, as proporções de ômego 6 e ômega 3 estão numa faixa de 10:1 e 5:1 , quando o recomendado seria 1:1. Só se tem realizado um estudo clínico em cães, em que foi utilizado na proporção de 0,3:1, e os resultados demonstraram um aumento nos tempos de sobrevivência e dos períodos sem enfermidades em cães com linfoma, sem efeitos secundários discerníveis (Olgivie et al.,2000).

Atualmente alguns estudos clínicos em andamento tentam avaliar esta ação, mais precisamente em câncer animal, sendo que os dados ainda não publicados indicam que o óleo de peixe pode ser uma promessa para o tratamento de diferentes enfermidades neoplásicas. O óleo de borragem e de linhaça são os representantes vegetais mais ricos em ômega 3, podendo ser usados como fonte de energia e de ômegas.
Em doenças como pancreatite, insuficiência renal crônica e hipertrigliceridemia congênita, que cursam conjuntamente com o câncer, este elevado teor protéico e de gordura é contraindicado



Vitaminas e minerais

A administração suplementar de antioxidantes dietéticos como o beta-caroteno, os retinóides e as vitaminas C e E, se têm associado com um menor risco de carcinogênese em modelos animais e em uma série de estudos epidemiológicos. O único mineral com efeitos anticancerígenos similares é o selênio. A hipótese majoritária é que muitos destes compostos, exceto os retinóides, atuem principalmente como antioxidantes e reduzam o dano celular, em especial do DNA, limitando assim a incidência de mutações funcionais, o que tem como conseqüência uma menor incidência de câncer.

Até agora não se pode respaldar o uso indiscriminado destes antioxidantes como suplementos na medicina veterinária por causa das grandes diferenças quanto a padrões alimentares e ao metabolismo destas substâncias entre os pacientes veterinários e os pacientes humanos, restando-nos aguardar a conclusão de trabalhos em animais de companhia.

A vitamina C (ácido ascórbico) tem sido relacionada com um aumento dos efeitos de certos agentes quimioterápicos como a vincristina (Osmak et al., 1997).
Apesar dos suplementos de ácido ascórbico poderem ser úteis em alguns casos de resistência a quimioterapia, também se têm argumentado que seu uso poderia ter efeitos potencializadores do tumor em algumas neoplasias e atividade antineoplásicas em outras (Seifried et al., 2003; Lee et al., 2003). Não se tem levado a cabo estudos controlados para valorizar sua eficácia em cães e gatos. O cão sintetiza ácido ascórbico, pelo que se desconhece o risco relativo de câncer por carência deste produto ao longo da vida do animal.
Outro antioxidante potente, a vitamina E é necessária na alimentação e são necessárias mais investigações sobre sua eficácia como agente antineoplásico nos animais.


Essa delícia tem ácidos graxos bons, compostos anti-oxidantes e muito selênio!!!

O selênio é o único mineral com propriedades anticancerígenas e preventivas conhecidas. Existem dados conclusivos de que o incremento das concentrações de selênio no soro está relacionado com incidências menores de carcinomas de pele, pulmão e próstata em seres humanos (Clark et al., 1996; Nelson et al., 1999; Reid et al., 2002; Duffield-Lillico et al., 2003). A maior parte dos alimentos comerciais para cães cumpre o perfil de nutrientes recomendados pela AAFCO, mas as recomendações do NRC se têm triplicado recentemente, já que a ingestão de selênio de muitos animais de companhia poderia ser baixa ou insuficiente. A vista desta circunstância, e dos estudos clínicos realizados em seres humanos, que demonstram os maiores efeitos do aporte suplementar de selênio na redução do risco relativo de câncer em pessoas com concentração de selênio no soro normais (Clark et al., 1996; Nelson et al., 1999; Reid et al., 2002;
Duffield-Lillico et al., 2003), poderia ser sensato dar um suplemento (2-4 μg/kg de peso/día) aos animais com antecedentes de neoplasia ou com predisposição a desenvolver câncer. Fontes naturais de selênio como Castanha do Pará, gérmen de trigo, farelo de trigo, alho, podem ser utilizadas na alimentação

O aporte suplementar de antioxidantes (p. Ex., vitaminas E e C, beta-carotenos, polifenóis, selênio) é de grande interesse na prevenção do câncer em humanos mas ainda não está bem determinada em animais de companhia, devido a diferenças no metabolismo destas espécies. Alguns estudos em humanos indicam que a suplementação com antioxidantes deve ser evitada durante a quimioterapia ou a radioterapia pois poderia resultar beneficioso para a sobrevivência das células tumorais.

A indicação das proporções de nutrientes no caso da terapêutica nutricional do câncer em animais, por alguns autores, é de 60% de proteínas, 20% de gorduras e 20% de carbohidratos ou pequenas variações destas quantidades. Quando utilizamos alimentação natural, devemos também suplementar com um bom complexo vitamínico/mineral para complementar os nutrientes da dieta caseira.

A quantidade de alimento oferecido ao animal, ao dia deve ser de 2 a 3 % do seu peso, tanto com comida caseira quanto com dietas baseadas em alimentos crus. Só pra traçar um parâmetro comparativo, a quantidade de alimento caseiro é aproximadamente o dobro da refeição com ração. Os legumes devem ser cozidos por pouco tempo e/ou no bafo (batatas, mandiocas, mandioquinhas que não devem ser consumidos crus pois não digerem bem e podem ter efeitos tóxicos) e o restante utilizados crús sob a forma de purê, facilitando a ingestão pelo animal quando misturado ao restante do alimento (veja o vídeo em : http://www.youtube.com/watch?V=Qcd5ch4Ytb8 ).



A alimentação com ossos carnosos crus também é muito usada na terapêutica nutricional do câncer pois melhora em muito a palatabilidade do alimento, e praticamente exclui os carbohidratos da alimentação, apoiando-se basicamente na ingestão de carnes, ossos e vísceras ( acesse www.cachorroverde.com.br para maiores informações).

Toda e qualquer alteração alimentar deve ser feita gradualmente, principalmente em animais com doenças debilitantes e/ou caquetizantes, portanto consulte um médico veterinário para orientá-lo no assunto.

A palatabilidade do alimento é fator determinante no controle alimentar dos cães anoréxicos e caquéticos. Também a alta digestibilidade do alimento objetiva atingir o máximo benefício nutricional do cão. Além do que, comidinha feita com amor e carinho, não tem igual!!!!!!!

Instituir um plano nutricional adequado a cada enfermo e enfermidade amplia as nossas possibilidades terapêuticas, melhora nossos prognósticos e a sobrevida dos nossos pacientes.


NUTRACÊUTICOS E ALICAMENTOS



A utilização de alimentos que apresentam componentes com propriedades e efeitos medicamentosos sobre o organismo (chamados nutracêuticos, alicamentos ou alimentos funcionais), colaboram na prevenção e no tratamento de enfermidades. A utilização deste tipo de alimento na dieta diária do pet com câncer é citada por diversos veterinários holísticos em todo o mundo como um fator imprescindível na redução de alguns tumores, no impedimento da disseminação de outros, na desintoxicação relacionada a fatores carcinogênicos e na prevenção de outros mais. Tais alimentos também compensam desequilíbrios e desajustes alimentares através de componentes biologicamente ativos como leucotrienes, polifenóis, licopenos, antioxidantes, carotenóides e etc, além de agirem diretamente sobre a dinâmica da célula cancerígena.

Um aporte constante de alimentos ricos em compostos anticancerígenos é uma arma indispensável para combater e/ou impedir o desenvolvimento do Câncer.

Um alicamento anticancerígeno é todo alimento, seja fruta, legume, erva, bebida ou mesmo um produto de fermentação, que contem em grande quantidade, uma ou várias dessas moléculas com potencial anticancerígeno.

Diferentes compostos bioquímicos nos alimentos exercem diferentes ações sobre as células cancerígenas e os processos cancerosos:

Bloqueio da ação de substâncias cancerígenas: brócolis, repolho, alho, Ômega 3 ( atum branco,sardinha,salmão, cavala pequena ou óleo de peixe e óleo de linhaça ou borragem), morango, legumes crucíferos(couve, couve de bruxelas, couve flor, couve chinesa, brócolis)



No bloqueio da promoção do desenvolvimento da célula cancerosa: curcuma ou açafrão, chá verde, soja, uva, tomate, legumes crucíferos.



No bloqueio da progressão da célula cancerosa: mirtilo, morango, Ômega 3, cítricos, morango, frutas vermelhas, alho, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã.



Redução da angiogênese (formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores e facilitam as metástases): cúrcuma, gengibre, chá verde, legumes crucíferos, salsa, aipo, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)



Induz apoptose (morte celular programada)de células cancerosas: chá verde, cúrcuma, legumes crucíferos, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã; salsa, aipo, algas, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)



Aumentam imunidade: os cogumelos, Shiitake, Maitake, Enokitake, Cremini, Portobello



Efeito anti-inflamatório: alecrim, cúrcuma, salsa, aipo, cítricos (laranja, limão, tangerina, grapefruit ou pomelo), romã



NOTAS:

Legumes crucíferos não devem ser fervidos e sim utilizados crus ou no bafo. Pra cozinhar no bafo coloque os legumes na parte interna da tampa de uma panela, amarre com um pano de prato bem limpo e emborque sobre a panela com alguma água. Depois que a água ferver, deixe por no máximo 5 minutos e retire. Não se perdem nutrientes na água da fervura.



As moléculas ativas do alho são liberadas durante o esmagamento e são mais bem absorvidas se diluídas em azeite.



Os tomates devem ser cozidos (molho de tomate) e a absorção dos seus princípios, melhora com o azeite de oliva.



As refeições podem ser congeladas em porções próprias para as refeições (2 vezes ao dia seria o ideal). Retire do freezer no dia anterior e descongele na geladeira. Ingredientes como alho, ervas, azeites e suplementos vitaminicos devem ser colocados na hora de servir e não congelados.

CONCUINDO...

Estudos clínicos veterinários tem demonstrado que também se observam no cão algumas das anomalias metabólicas que se produzem em modelos de câncer em roedores e seres humanos, mas as pesquisas na área de nutrição veterinária são necessárias devido justamente às diferenças metabólicas entre as espécies.
Importante observar que a maior parte das pesquisas na área de nutrição são financiadas pelas indústrias de rações e que os resultados podem ser tendenciosos no que diz respeito à complexidade de uma simples refeição. Será que vamos ter que fazer doutorado em nutrição animal para podermos alimentar nossos pets? Parece ser isso o que os grandes fabricantes, o poderoso lobby da alimentação industrializada quer fazer parecer, portando fique bem atento pois há 20 anos atrás os nossos animais se alimentavam de comida caseira e não apresentava tantas doenças alérgicas, auto-imunes, neoplásicas e metabólicas complexas. O que víamos era no máximo um “raquitismozinho”, uma “seborréiazinha” seca que ao corrigirmos a alimentação modificand ou suplementando, tudo voltava ao normal. Hoje em compensação, os excessos de conservantes, aromatizantes, palatabilizantes, adoçantes, corantes, humectantes, texturizantes, espessantes, redutores de oxidação, antimicrobianos e sabe-se lá mais o que, presentes nas rações comerciais, são amplamente responsabilizados pelas “ites”, “oses” e “omas” dos nossos pets.



São necessários trabalhos clínicos mais extensos e controlados, que sabemos que podem não vir se dependermos unicamente da indústria farmacêutica que não possui verbas para despender com medicamentos não passíveis de patente, assim como a indústrias de ração só interessa custos de produção baixos e lucros altos.

Dá-lhe lavagem cerebral!!!

Portanto, resta a nós, profissionais da saúde, investigar, questionar e encontrar alternativas para melhorar as condições de saúde dos nossos pacientes, sejam eles peludos ou não.

Comida natural neles!!!!!




BIBLIOGRAFIA

XI Encontro de Homeopatia em Curitiba – 15 e 16 maio 2009 – Módulo I – Homeopatia nas Especialidades – Câncer e Homeopatia - Palestra proferida pelo Dr. Javier Salvador Gamarra

CLEMMONS, R.M. Integrative Treatment of Câncer in Dogs. Disponível em: http://neuro.vetmed.ufl.edu/neuro/AltMed/Cancer/Cancer_AltMed.htm . Acesso em 15/05/2009.

OLSON, L. Câncer diet. 2004. Disponível em http://www.b-naturals.com/newsletter/category/cancer/ . Acesso em 12.05.2009.

OLSON, L. Nutrition for dogs with câncer. 2004. Disponível em http://www.b-naturals.com/newsletter/nutrition-for-dogs-with-cancer/ . . Acesso em 12.05.2009.

JÚNIOR, J.F. Curcumina e Câncer : antiproliferativo, antiapoptótico, antiangiogênico e antimetastático.
2007. Disponível em:
http://medicinacomplementar.com.br/temanov07.asp . Acesso em 07/05/2009.

JUNIOR, J.F. Proposta de dieta inteligente para o tratamento coadjuvante do câncer. 2007. Disponível em:
http://medicinacomplementar.com.br/temaMAR07.asp .Acesso em 07/05/2009.

JÚNIOR, J.F. Óleo de peixe ômega-3 e câncer: diminuição da proliferação celular maligna, aumento da apoptose, indução da diferenciação celular e diminuição da neoangiogênese tumoral. Disponível em:
http://medicinacomplementar.com.br/tema201106.asp . Acesso em 03/06/2009.

ROBINSON, N.G. Homeopathy and Câncer – Real benefits or empty promisses?. 2007. Disponível em: http://csuvets.colostate.edu/pain/Articlespdf/Homeopathy%20and%20Cancer.pdf

TROTTA, F. Et all. Stopping a trial early in oncology: for patients or for industry? 2008. Disponível em: http://annonc.oxfordjournals.org/cgi/reprint/19/7/1347 . Acesso m 04/06/2009.

OGILVIE, G.K. Nutrition and Cancer: Exciting Advances for 2002! 2002. Disponível em: http://www.vin.com/proceedings/Proceedings.plx?CID=WSAVA2002&PID=2638 . Acesso em: 08/06/2009.

BRUNETTO, M.A. et all. Imunonutrição: o papel da dieta no restabelecimento das defesas naturais. 2007. Disponível em:
http://www.ufrgs.br/actavet/35-suple-2/04-ANCLIVEPA.pdf
Acesso em 02/01/2009.

ROYAL CANIN. Enciclopédia de la Nutricion Clinica Canina. Disponível somente a médicos veterinários, em: http://www.ivis.org/search/recent.asp?LA=2 . Acesso desde 2007.



NA PRÓXIMA POSTAGEM DE CÂNCER FALAREMOS DOS TRAMENTOS COM CAM (MEDICINA COMPLEMENTAR ALTERNATIVA)
Até lá!

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

CÂNCER E HOMEOPATIA

Como podemos ajudar os animais que passam por esta doença?
Existem formas de minimizar a dor, o sofrimento, os efeitos colaterais da medicina tradicional?
Há esperanças? O que se pode esperar?
Que possibilidades de tratamento e abordagens a Medicina Alternativa Complementar nos possibilita? Que terapêuticas são estas?
Estas são perguntas que nos fazemos no dia-a-dia da clínica, quando nos deparamos com pacientes com diagnóstico de câncer e daí o cuidador nos pergunta: DOUTORA, E AGORA?

Como o assunto é muito extenso, faremos uma série de postagens menores, sequenciais, para que a leitura não se torne muito cansativa.
É importante que entendam que o intuito destes textos não é o de fornecer fórmulas mágicas, mas sim mostrar que existem possibilidades de tratamentos alternativos, com pesquisas científicas no mundo todo que buscam melhorar a qualidade de vida dos pacientes de câncer humanos e não humanos, seus tratamentos, seus prognósticos, o entendimento da doença e do doente de câncer. É importante estimular a pesquisa, a busca, as opções e entender que não é a Eutanásia o melhor tratamento de câncer em medicina veterinária como acreditam muitos profissionais e cuidadores. CORRA ATRÀS DE SOLUÇÕES, CONVERSE, QUESTIONE....


O QUE VEM A SER O FAMIGERADO "CÂNCER":


CÉLULA CANCERÍGENA EM REPRODUÇÃO

O nome CÂNCER é um termo derivado da palavra grega para carangueijo, KARKINOS. Também chamado de NEOPLASMA ou NEOPLASIA, caracteriza-se pelo crescimento novo, progressivo e descontrolado de células originárias de tecidos normais, que não respondem aos fatores normais de regulação de crescimento e organização celular, tornando-se um tecido autônomo e desgovernado. É o caos celular e tecidual. As células cancerosas perdem progressivamente as características e funções diferenciadas do tecido original. Células que antes secretavam alguma substância, já não o fazem mais. Outras que eram responsáveis por absorver ou transportar ou mesmo dar estrutura de sustentação ao órgão ou tecido, já não são mais capazes de atuar organizadamente. Há um favorecimento da MULTIPLICAÇÃO CELULAR DESORDENADA em detrimento da especialização da célula afetada. Alguns tumores podem preservar alguma função e alguns aspectos morfológicos (forma/estrutura) do tecido original, mas são poucos. Da mesma forma, o crescimento rápido não é característica de todos os tumores , sendo que alguns tipos apresentam crescimento indolente, lento.

A classificação dos tumores em malignos ou benignos está relacionada com a semelhança das células tumorais com as células do tecido de origem. Tais características são avaliadas em exames citológicos e histológicos (imprinting, biópsia). Células de tumores malignos apresentam maior anaplasia (indiferenciação), são mais invasivas, tem a capacidade de fazer metástase (transferir-se para outros tecidos através do sangue e da linfa) e também uma grande atividade mitótica.Fibromas, lipomas e adenomas são benignos; sarcomas e carcinomas são malignos. As neoplasias malignas podem matar o doente exercendo pressão nos tecidos vizinhos normais, causando dor, interrupção da irrigação vascular, bloqueio dos vasos linfáticos e diminuição de função do órgãos devida a esta pressão. Obstruções do trato urinário e biliar são causas comuns de óbito. Os efeitos sistêmicos das neoplasias estão associados à anorexia, perda de peso e caquexia, anemia, tromboses, hemorragias, coagulação intravascular disseminada (CID), diarréias prolongadas, desidratação, febre, ascite, etc.

COMO A HOMEOPATIA ENCARA O FAMIGERADO "CÂNCER" ?

Para a homeopatia,qualquer enfermidade é um comportamento biológico no qual há uma alteração vibratória da força vital e uma perturbação dinâmica do indivíduo como um todo e no câncer não é diferente. A enfermidade não é identificada pela lesão que causa no tecido ou pela doença em si. O diagnóstico da doença somente nos permite ter uma idéia da fisiopatologia da doença e não do doente como um todo.
Para o homeopata, a anamnese, ou seja, as perguntas dirigidas ao paciente (no caso da veterinária, dirigidas ao cuidador, com respeito ao seu animal), são de extrema importância. A história de vida do indivíduo, desde sua infância e se possível de seus antepassados, o seu temperamento e alterações dele no decorrer de sua vida, sua alimentação, como vive, aonde vive, com quem vive, suas relações sociais intra e extra específicas (com indivíduos da mesma espécie ou espécies diferentes), suas doenças anteriores, cios, gravidez, aleitamentos, seus receios, medos, comportamentos diante de circunstâncias diversas e adversas, acontecimentos que possam ter desencadeado a doença atual ou doenças anteriores, as condições que agravam ou melhoram o seu quadro clínico ou o seu ânimo, enfim, tudo o que se possa apreender do sujeito em questão, fazem parte do entendimento do seu processo de adoecimento e são utilizadas na confecção do diagnóstico, prognóstico e tratamento homeopático, juntamente com os sintomas clínicos apresentados pelo DOENTE, exames laboratorias e exames diagnósticos. Não é apenas a lesão, o órgão ou sistema afetado que nos preocupa, mas o conjunto, a totalidade e a SINGULARIDADE de cada DOENTE.
Desta forma, fica mais fácil entender porque 2 cães com o mesmo tipo e localização de câncer são tratados com medicamentos absolutamente diferentes. Não tratamos DOENÇAS e sim DOENTES! Não existem receitas prontas para esta ou aquela doença. A isto chamamos, em homeopatia, de INDIVIDUALIZAÇÃO e é só individualizando que conseguimos chegar ao medicamento mais próximo da SIMILITUDE ou SEMELHANÇA do nosso paciente.
Segundo a visão de um grande médico homeopata argentino, Tomas Pablo Paschero, quanto mais o indivíduo vive e sofre as ameaças imaginárias ou não do mundo à sua integridade pessoal e se esconde por trás da couraça defensiva de sua auto limitação, mais doente está e encaminha-se até a auto destruição, sendo o câncer uma de suas conseqüências mais avassaladoras. Falar em “ameaças imaginárias” pode parecer uma elocubração, fantasia ou viagem de homeopatas quando tratamos de medicina veterinária mas não é e vou explicar porque: os conflitos que criamos nos nossos animais de estimação quando simplesmente os afastamos da sua vida natural para a espécie, qualquer que seja ela, não podem ser resolvidos ou assimilados com facilidade pelos nossos companheiros de 4, 2 ou nenhuma pata. Confinar um animal seja em um canil, um aquário, uma gaiola ou em um apartamento, afastá-lo do contato com outros da sua espécie, tratá-los como crianças ou qualquer coisa que não seja exatamente o que e como ele é, alterar-lhes a hierarquia ou a estrutura social própria de cada espécie, modificar a sua alimentação com produtos industrializados, enchê-los de medicações na maioria das vezes desnecessárias e excessivas, banhos, perfumes, deixá-los sozinhos por longos períodos, aposentá-los nas suas atividades próprias da espécie como caça, trabalho, brincadeiras e etc., são alguns dos fatores conflitantes que ao não serem passíveis de resolução pelo indivíduo, predispõe estas criaturas ao adoecimento. A abordagem comportamental e holística, o bem-estar próprio àquela espécie, que leva em conta o manejo na tentativa de resolver os conflitos criados pelos humanos, mesmo que não intencionalmente, favorece a cura do indivíduo como um todo e também a abordagem profilática/preventiva, evitando o surgimento de muitas desordens mentais e orgânicas.


Interagir com outros da mesma espécie é importantíssimo no bem estar de qualquer ser.


Um exemplo disto seria quando um organismo produz expressões externas, como erupções, verrugas, dermatites, secreções, coceiras, etc., está desta forma tentando eliminar de si o que é necessário ao seu reequilíbrio interno. Se estas formas de eliminação são suprimidas e/ou abafadas, através de medicamentos (antibióticos, antifúngicos e corticóides), pomadas e unguentos ou procedimentos cirúrgicos, outras saídas devem ser criadas para diminuir a pressão interna e esta força de eliminação com todo o seu vigor e poder, seguirá outros caminhos, por outros pontos do organismo, através de linhas hereditárias e predisposições individuais. Desenvolvem-se assim novos fenômenos clínicos e psíquicos, com nova sintomatologia e quanto maior for a SUPRESSÃO dos sintomas, maiores e mais profundas serão as novas manifestações, podendo determinar uma tendência proliferativa ou destrutiva das células. Esta compulsão de eliminação, pode determinar o surgimento do câncer, dentre outras enfermidades.

Segundo Hahnemann, médico alemão idealizador da homeopatia, o médico deve perceber o que deve ser curado em cada caso individualmente, isto é, o que é curável nas doenças e compreender o que é curativo em cada medicamento para adequá-lo ao que há de patologia no doente. Muitas vezes, quando o paciente com câncer chega aos nossos consultórios, já apresenta quadros avançados da doença e estão próximos a incurabilidade, pelos transtornos crônicos em decorrência da doença longa. Se a energia vital do indivíduo apresenta-se debilitada, sem condições de reação através da medicação homeopática, a cura não será possível. Independente das possibilidades de cura, podemos proporcionar qualidade de vida e de morte ao indivíduo que sofre de câncer, dando-lhe uma sobrevida sem efeitos colaterais decorrentes de terapias convencionais, controle da dor e bem estar até os últimos momentos. O preconceito e o receio quanto ao uso da homeopatia no tratamento do câncer estão, ao meu ver, relacionados a ausência de padronização dos tratamentos. Devido a interferência de fatores individuais, a escolha do(s) medicamento(s) em cada caso, vai depender da dinâmica de cada paciente (como descrito acima), das características especiais de cada tipo de câncer (proliferativo, ulserativo, destrutivo, etc), da localização, malignidade ou não, em resumo, da DINÂMICA DE CADA PACIENTE.
O tratamento homeopático do câncer visa a estimulação do sistema imune do doente e a atenuação dos sintomas decorrentes da formação tumoral, através do reequilíbrio da energia vital do doente, podendo ou não levar a cura parcial ou completa, ou apenas ao controle do paciente. Nos casos incuráveis atua sobre a dor, o desconforto e o ânimo do indivíduo, levando a uma morte tranqüila como o apagar de uma vela.

CAUSAS PROVÁVEIS DAS NEOPLASIAS

Nem sempre há uma causa única e sim uma associação de fatores que encontra um terreno fértil para o desenvolvimento do CÂNCER. Muitas causas são ainda desconhecidas mas muitas já foram determinadas.
O termo CARCINÓGENOS é utilizado para referir-se à substâncias que podem causar ou favorecer o CÂNCER.

Fatores Físicos :
- RX
- Radiação ultra violeta
- Queimaduras

Fatores Químicos:
“Os carcinógenos químicos são ingeridos, geralmente, através dos alimentos. As
rações preparadas para os animais possuem flavorizantes, antioxidantes e outras
substâncias conservantes que podem ser tóxicas e funcionar como carcinógenos. Estas substâncias oncogênicas devem ser reconhecidas e eliminadas das fontes alimentares. Tanto o homem quanto os animais estão sujeitos à ingestão de contaminantes químicos nos alimentos. As micotoxinas, os fungicidas e herbicidas também devem ser observados pois podem ser potencializadores de fatores oncogênicos” (Parreira,I.M.; Keglevich,E.As Neoplasias em Cães. Instituto Biosfera).
- poluição, fumo (os pets são hoje fumantes passivos) e fuligem
- aminas aromáticas utilizadas como corantes alimentares (RAÇÕES COLORIDÍSSIMAS!!!!)
- Nitrosaminas presentes nos defumados
-Antineoplásicos de uso medicinal como busulfan e melfelan
- Aflatoxinas presentes em grãos e cereais – principal matéria primabase da alimentação dos pets em RAÇÔES COMERCIAIS!!!!
-CONSERVANTES como etoxiquina, butilhidroxianisol (BHA) e butilhidroxitoluno (BHT), todos sabidamente carcinógenos e proibidos na alimentação humana!!!!!!



Fatores Traumáticos:
Osteosarcomas de cães de grande porte. O trauma pode ter ocorrido anos atrás sem sintomatologia clínica ou com claudicação (mancadura) leve que logo desapareceu.

Fatores Farmacológicos:
- Anabolizantes ( agem no fígado) – tem bad boy e bad vet que aplicam!
- Quimioterápicos ( medula óssea e bexiga principalmente) por exemplo o ONCOVIN tão utilizado em tumor venéreo de cães.
-Imunossupressores ( linfoma e pele) – por exemplo o uso abusivo de corticóides nas tão comuns dermatopatias.

Fatores Alimentares:
- excessos de gordura (mama, cólon e pâncreas)
- ingesta calórica elevada (mama, endométrio, próstata, cólon, vesícula biliar, pâncreas)
- dieta pobre em fibras (cólon)

Fatores biológicos:
- Causas genéticas hereditárias
- Doenças pré-existentes

Fatores Hormonais:
- Uso de progestágenos injetáveis (anticoncepcionais X tumores de mama)
- Tumor de Leidig em cães machos

Fatores Inflamatórios:
- Desequilíbrio da relação entre radicais livres e agentes antioxidantes
-Processos inflamatórios crônicos que levam ao aumento da irrigação do tecido lesado, levando a neocarcingênese (surgimento de novo tumor).
- Radicais livres também são responsáveis por mutações que podem ser responsáveis pela gênese do tumor.

Fatores Psíquicos :
- Estresse
- Ausência de Bem Estar de forma crônica e continuada
- Transtornos por perdas, sustos, medo, raiva...Emoções muito fortes!



ALGUNS TIPOS DE CÂNCER MAIS COMUNS NOS NOSSOS PETS


- NEOPLASIAS CUTÂNEAS: O exame citológico é
indispensável na tomada de decisão quanto ao tratamento cirúrgico.
As hiperplasias e adenomas das glândulas sebáceas, os lipomas, mastocitomas e os papilomas são as neoplasias cutâneas mais comuns nos cães. Outras neoplasias cutâneas: tricoepiteliomas, pilomatricomas, tumores de glândulas sudoríparas, de glândula peri-anal, carcinomas epidermóides, fibromas e fibrosarcomas.

-NEOPLASIAS ORAIS: São cada vez mais comuns e na maioria das vezes malignos. Causam mau-hálito, salivação intensa e dificuldade em comer. Sangramentos orais e inchaços são achados comuns. Maiores incidências destas neoplasias são encontradas em animais com mais de 8 anos de idade.

-NEOPLASIAS GASTROINTESTINAIS: Linfosarcoma alimentar, linfoma e adenocarcinoma são os mais encontrados. Também podemos encontrar linfomas gástricos e adenomas de reto, cólon e gástrico, mas são as formas mais raras em cães.

-NEOPLASIAS HEPÁTICAS: podem surgir à partir de muitos órgãos (pâncreas, adrenais, pulmões e mamas). A metástase decorrente destes tumores, envolvem normalmente peritônio, linfonodos e pulmões.

-NEOPLASIAS OCULARES: 90 % delas são malignas.

-NEOPLASIAS MAMÁRIAS: A prevalência dêste câncer em cadelas é 3 vezes maior do que em mulheres. Correspondem a 50% de todos os tumores da cadela e 45% dos tumores de mama são malignos. Dados de trabalhos científicos (RADOSTIS,2002) afirmam que:
1 – Os tumores mamários são mais comuns em fêmeas inteiras ou naquelas castradas depois dos 2 anos de idade. Fêmeas castradas antes do primeiro cio tem incidência baixíssima.
2 – A média etária na época do diagnóstico é de 10 anos.
3 – Machos podem ser acometidos.
4 – 50% de todos os tumores mamários são benignos.
5 – Pode haver a combinação de massas benignas e malignas no mesmo animal, daí estar indicada a palpação de todo o tecido mamário e adjacente se for palpado um nódulo.
6 – A maioria dos tumores mamários caninos ocorre nas glândulas 4 e 5.
7 – 40% dos tumores acometem as glândulas inguinais.

Podem ser carcinomas, sarcomas, carcinossarcomas ou adenomas benignos.
As técnicas cirúrgicas utilizadas na excisão de tumores mamários variam conforme a extensão, a invasibilidade, malignidade, encapsulamento, número de glândulas afetadas e características celulares. Por isso é importante procurar um profissional capacitado para efetuar as avaliações e exames iniciais, assim como o procedimento cirúrgico mais adequado a cada caso.

-NEOPLASIAS GENITAIS: O tumor venéreo transmissível ou TVT ou Tumor de Sticker. Ocorrem na genitália masculina e feminina e também em boca e focinho devido a lambeduras e olfação.


Na próxima postagem falaremos sobre a alimentação do paciente com câncer.
Até lá!

Sábado, 18 de Abril de 2009

ESPIRRO REVERSO

CÃO ENGASGADO? CÃO SUFOCADO?

Não, é o ESPIRRO REVERSO!
Algumas raças de cães são mais acometidas, principalmente Chihuahuas, Pomerâneos, Shih Tzus, Lhasa Apsos, Poodles (principalmente os toys), whippets e Yorkshires. Em função desta maior incidência nestas raças, suspeita-se da participação de um fator genético envolvido no quadro.

Quais são os sinais?
Com o espirro reverso a faringe(nas costas da garganta) apresenta espasmos. O cão encontra dificuldade em puxar o ar durante o espasmo, faz inspirações rápidas, fica parado,com que o pescoço esticado, afasta as patas dianteiras aumentando o ângulo e produzindo um ronco, uma respiração dificultosa , um resfolegar que muitas vezes resulta na impressão de que o cão está engasgado ou prestes a morrer! Freqüentemente os olhos se esbugalham. O espasmo cessa quando o cão faz o movimento de engolir. Fechar os orifícios nasais com os dedos e friccionar gentilmente o pescoço por alguns segundos faz com que o cão tome um fôlego pela boca resolvendo o problema. Filhotes podem apresentar o espirro reverso mas é durante a adolecência tardia que costumam aparecer os primeiros episódios. As causas ainda não foram elucidadas mas podem estar relacionadas a uma irritação no palato mole e garganta , causando o quadro de espasmos que assustam muitos cuidadores. Qualquer coisa que irrite a garganta pode causar o espasmo como excitação, comidas e bebidas, excesso de exercícios ou intolerância a eles, tração na coleira durante os passeios, pólen, corpos estranhos na garganta, perfumes, vírus, produtos químicos usados na casa e no canil, alergias, etc. Se o problema for identificado, afastá-lo dele muitas vezes resolve parcial ou totalmente o problema. Cães braquicefálicos como pugs e boxers, que apresentam o focinho achatado são muito afetados, mas no caso destas raças deve-se tomar cuidados redobrados pois há relatos científicos de alterações cardíacas secundárias ao espirro reverso.
Alguns cães apresentam estes episódios por toda a vida, outros desenvolvem episódios esporádicos e temporários que se resolvem por si só e outros ainda podem apresentá-los uma única vez e nunca mais.


O QUE EU FAÇO?
Fique calmo e proceda como o explicado (veja o filme). Em poucos segundos ou 1 ou 2 minutos, o episódio vai cessar. O espirro reverso é um fenômeno inofensivo, que quando diagnosticado por um veterinário e após uma avaliação clínica criteriosa, excluindo-se alterações cardíacas, convulsões, engasgos, estenose traqueal e etc., pode ser encarado como um fenômeno normal naquele indivíduo, sem necessidade de tratamento medicamentoso agressivo (corticóides e anti-inflamatórios).


COMO DIFERENCIAR DE UMA ESTENOSE DE TRAQUÉIA?

A traquéia é uma importante estrutura que conecta a garganta com os pulmões. É composta de 35 a 45 aneis de cartilagem unidos por músculos e ligamentos criando uma estrutura tubular. A utilidade deste tubo é a de direcionar ar ao trato respiratório.
Quando os anéis traqueais rebaixam ou achatam-se do topo em direção a parte inferior, a traquéia é dita “colapsada”. Uma rápida inalação do ar pode causar este achatamento traqueal e dificultar a entrada do ar nos pulmões, com uma espécie de movimento de sucção muito vigoroso.
O colapso de traquéia pode ser confundido com o espirro reverso ou vice e versa, mas já requer uma atenção maior pois nesse cãs sim o animal pode parar de respirar por sufocação e morrer. Não se conhece precisamente como esta condição se desenvolve. De qualquer forma, sabemos que estes cães apresentam uma anormalidade na conformação química e/ou física dos anéis traqueais. Os anéis perdem sua rigidez e tornam-se inábeis em manter seu formato circular.
O sinal mais comum do colapso traqueal é o quadro de tosse crônica que pode ou não estar relacionado a alterações cardíacas. Este quadro é freqüentemente descrito como seco ou áspero e pode transformar-se em inquietação pronunciada. Os termos “grasnado de ganso” ou tosse de comprida ou ainda tosse de cachorro podem ser usados para descrever o quadro. A tosse é comumente pior durante o dia quando o animal está mais ativo e menos intensa a noite quando o animal está em repouso (diferente da tosse dos canis quando ela piora durante a noite). A tosse pode iniciar-se devido a excitação, pressão traqueal (coleira) ou por comer ou beber.


VAMOS DIFERENCIAR OS DOIS EPISÓDIOS?

Se o episódio criar sons quando excitado ou depois de comer ou beber, ou ainda abrir os membros anteriores e estender o pescoço e arfar com um rítmico Snork! Snork! Snork!, como se estivesse morrendo ou agonizando,tenha certeza que está diante do ESPIRRO REVERSO. Se a respiração através da boca emitir um ruído estridente ou se há tosse reflexiva após tocar sutilmente seu pescoço, podemos estar diante de um COLAPSO DE TRAQUÉIA. Se a tosse é de uma ou duas explosões aparentes (forçando a traquéia a abrir-se) como um engasgo ou mímica de vômito no final, pode ser um colapso traqueal ou ainda um quadro de tosse dos canis.
Se você suspeita de colapso de taqueia ou esta confuso quanto a diferença entre os dois quadros, leve seu cão ao veterinário. Se o diagnóstico for de ESPIRRO REVERSO, você vai ter que acostumar-se com os episódios e não se desesperar!

GATO TAMBÉM TEM?
Sim, mas muito menos! Nese caso pode ser confundido com a asma felina, essa sim muito mais frequente. No caso da asma o tratamento é muito mais complexo
(acesse: http://www.veterinarypartner.com/Content.plx?P=A&A=665&S=0&EVetID=0).

BIBLIOGRAFIA:
http://www.papillonclub.org/Education/trachea.htm
http://cantodosbichos.blogspot.com/2009/02/que-barulho-e-esse-espirro-reverso.html

VÍDEO:
http://www.youtube.com/watch?v=1UyBrb0Hhpk&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=P1rbSj2y6RU&feature=related

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

PORQUE A HOMEOPATIA INCOMODA

Este texto foi publicado originalmente no jornal "Correio Popular", Campinas, em30/11/97 pelo Dr.Matheus Marim, grande médico homeopata brasileiro, conferencista internacional e pesquisador. Vale a pena ler e meditar sobre o assunto...Boa leitura!

PORQUE A HOMEOPATIA INCOMODA
Escolhemos o título acima, porque como praticantes de uma atitude médico-filosófica que vê o ser humano como uma unidade e integrado ao todo, jamais conseguimos nos furtar ao diagnóstico sistêmico. É hábito do homeopata o diagnóstico em sua totalidade, das partes integradas ao todo, buscando o porquê em tudo, até em um simples artigo de um simples jornal de uma simples cidade que integra o nosso pequeno planeta, diga ele respeito ou não à homeopatia.
Inicialmente a homeopatia começou incomodando as religiões, pois quando Hahnemann experimentou substâncias em humanos, observou o aparecimento de sintomas físicos e psíquicos, estes últimos eram tidos até então como instâncias da alma e portanto propriedade dos religiosos. Além de destruir o tácito acordo entre medicina e religião, onde médicos cuidavam dos males do corpo e os religiosos dos males da alma, resgatou também a unidade que é o ser. Foi a primeira prova testemunhal na medicina ocidental da comprovação dessa unidade. Percebemos aí que com apenas um experimento ele virou de pernas para o ar a ciência e a religião da sua época. Experimentou em humanos e acessou a alma, resgatou a unidade.
Mas a homeopatia incomoda principalmente ao capital. Calcula-se que o PIB mundial esteja em torno de US$ 25 trilhões, dos quais US$ 8 trilhões em mãos de 200 mega empresas, sobrando os restantes US$ 17 trilhões para o "resto" do mundo (empresas e nações, inclusive USA). Neste bolo de US$ 25 trilhões, a indústria farmacêutica é a que abocanha o maior percentual, constituindo-se assim em um dos importantes pilares do capital e da globalização que hora se pretende. Remédios para todos.
Para manter o "status-quo", o capital tem na mídia o seu principal arauto e de-formador de opinião (considero-a a maior e melhor quadrilha organizada do planeta), veiculando ela todos os seus interesses, defendendo, omitindo, informando parcialmente e deformando sempre que necessário. Considero uma ingenuidade encarar como acidental qualquer artigo sobre qualquer assunto que incomode o capital. Sempre há uma intencionalidade por detrás deles: a destruição por detrás de uma falsa polêmica e sempre com poucos argumentos de defesa, pois o acesso à mídia é convenientemente negado, a última palavra sempre é a do capital.
Diretamente interessada na área da "saúde", a indústria farmacêutica com seus trilhões, "ampara" as instituições de pesquisa, os hospitais, os pesquisadores etc. desde que estes rezem exatamente de acordo à sua cartilha. As amostras-grátis, os coquetéis, as viagens, os financiamentos à pesquisa, suporte às universidades, só têm uma intenção, vender mais remédios, e sabemos que remédios nem sempre significam saúde. Qualquer movimento que ouse questionar é sutilmente atraído e se morder a isca... destruído. Não podemos esquecer que o relatório Flexner foi sutilmente encomendado por Rockfeller II. A homeopatia incomoda muito mais às ciências médicas, uma vez que estas se constituem no principal objeto e escudo de defesa da indústria farmacêutica. A medicina convencional atual está centrada no diagnóstico das doenças de um doente, remédios para doenças, quanto mais doenças mais remédios. O paradigma homeopático é outro, é a medicina do doente com suas doenças, é a medicina da resubjetivação do sujeito onde as doenças apreendidas nas suas origens psíquicas mais profundas, somente se atenuarão e/ou desaparecerão à medida que o doente for se curando como um ser integral que é. Tratar doenças com remédios homeopáticos não faz sentido, o resultado será sempre igual ao emprego do placebo como estamos cansados de ver em inúmeros trabalhos que teimosamente tentaram provar a eficácia da homeopatia fora da sua episteme.



Daí a dificuldade em o cientificismo atual avaliar a homeopatia e daí também a recusa da homeopatia em aceitar as reducionistas avaliações da atual metodologia da pesquisa em humanos.
Atualmente os critérios de regularidade e repetição minuciosamente analisados são utilizados como parâmetros do científico. Regularidade e repetição são observadas nas experimentações homeopáticas. As substâncias homeopáticas são experimentadas em humanos sadios e não em animais. Uma mesma substância experimentada em várias pessoas de diferentes regiões e países, em estudos duplo-cegos, embora diluídas até 50 mil vezes produzem nesses experimentadores sintomas que se repetem com regularidade e repetição, isso é o que constitui a nossa matéria médica.
Esses mesmos medicamentos quando prescritos às pessoas doentes só os ajudam quando houver similaridade com a Unidade que é o doente. Regularidade e repetição na pesquisa. Regularidade e repetição na Clínica da Similitude com o doente. Por outro lado, na pesquisa clínica, não aceitamos os duplo-cegos e triplo-cegos que se concentrem em apenas uma doença de uma pessoa que é um Universo. Consideramos esses estudos totalmente cegos. A cegueira consiste no reducionismo de olhar apenas uma úlcera, uma bronquite asmática, uma insônia, uma artrite reumatóide, deixando de lado o ulceroso, o asmático, o insone, o artrítico que está por detrás disso. Esse reducionismo é imposto à ciência como uma forma de afastá-la da Unidade que é o ser.
Qual a vantagem em se fechar uma úlcera sem resolver a dinâmica profunda que a provocou? Teremos para o futuro um ex-ulceroso portador de patologias mais sérias uma vez que a sua problemática profunda como sujeito não foi resolvida. Nos recusamos a participar de estudos que não encarem o sistema aberto que é o ser. Por que a medicina convencional não ousa enfrentar os sistemas abertos ao invés de trabalhar com modelos reducionistas? Simplesmente porque todo o edifício ruirá.
Não é à toa que bilhões estejam disponíveis para que se pesquise apenas aquilo que não saia fora do reducionismo. Calcula-se que 95% dos trabalhos publicados na área das ciências médicas são total ou parcialmente patrocinados pelos laboratórios farmacêuticos e as revistas que os veiculam cobrem seus custos com os anúncios dos mesmos.
A homeopatia incomoda um pouco menos à física, pois os físicos são muito hábeis em cambalhotas, vivem colocando o mundo de pernas para o ar. Sabem que o medicamento homeopático veicula uma informação mas que ainda não dispõem de um eficiente instrumental para sua avaliação. Atualmente a Ressonância Nuclear Magnética, após dez longos anos de experiências, começa a mostrar os primeiros resultados confiáveis.



Não compete pois aos homeopatas comprovar a natureza de seus medicamentos nem sua maneira de atuação, fá-lo-ão a física, a bio-física, a físico-química, uma vez que estamos trabalhando com grandezas de ordem freqüencial. O medicamento homeopático veicula uma informação e não é nossa culpa se o instrumental da física ainda não conseguiu demonstrá-lo. Não seremos nós que o faremos. Não há nada de mágico nas diluições homeopáticas, apenas uma informação.
Recentes experiências em unidades de pesquisa norte-americanas têm demonstrado que motores têm sua vida útil prolongada quando lavados com água dinamizada a partir das substâncias e gases que os danificam. A medicina não mudará por nossa causa, mas apenas quando os físicos anunciarem que existe uma outra maneira de acessar os seres vivos, o freqüencial. Medicina de pernas para o ar. Quanto ao fato de Benveniste conseguir enviar sinais homeopáticos via computador, nisso eu acredito e é aí que está o futuro.
A medicação homeopática veicula uma informação que é de ordem freqüencial, nada mais simples que com o evoluir da tecnologia essa informação seja lida e armazenada em um disco rígido e posteriormente enviada. Benveniste trabalha com tecnologia de ponta jamais sonhada por estas plagas em algo que parecia impossível há cinco anos. Hoje ele já consegue os primeiros resultados. A medicina do futuro será fundamentalmente freqüencial e a homeopatia é a sua precursora. Bill Gates ganhará, indústria farmacêutica perderá. Homeopatia é o futuro agora. Medicina de pernas para o ar.
Quanto à afirmação de que "a homeopatia se baseia em princípio totalmente científicos e inexplicados de ação medicamentosa que colocam a lógica de pés para o ar" podemos esperar que realmente isso acontecerá, aliás, isso sempre aconteceu em ciência. Copérnico colocou os nossos antepassados de pernas para o ar, o mesmo o fizeram Kepler, Newton, Faraday, Maxwell, Planck, Boltzmann, Michelson-Morley, Einstein e Hahnemann também.
O fato de ser portadora de uma prática onde alguns de seus passos não estão totalmente explicitados apenas coloca a Homeopatia como uma grande interrogação a ser resolvida e não a ser denegrida. O mesmo aconteceu com a mecânica quântica em relação à mecânica newtoniana. A homeopatia nada tem de anticientífico, ela é apenas a ciência do todo, da unidade do ser. A verdade não está apenas naquilo que entendemos ou pensamos que conhecemos, ela sempre vem "à posteriori".
Como homens de ciência devemos sempre estar prontos a acordar de pernas para o ar.

Publicado no jornal "Correio Popular", Campinas, 30/11/97

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Reflexões em torno de uma ética animal

Este texto maravilhoso nos coloca frente a frente com questões básicas e complexas relacionadas às relações homem/animal, conflitos de interesses, direitos animais, igualdade e especificidade, responsabilidades humanas e o papel do veterinário dentro da ética, da consciência e dos deveres deste profissional.
O autor, Néstor Alberto Calderón Maldonado é médico veterinário Homeopata, especialista em Bioética, Etologia e Bem Estar Animal, conferencista internacional

O texto foi retirado do site: http://www.homeopatiaveterinaria.com.br/Reflexoes_de_uma_etica_animal.htm
(aliás, excelente site de Medicina Veterinária Homeopática da Dra. Maria Thereza Cera Galvão do Amaral)
Vamos a ele!



Ao falar de uma ética animal, estaríamos pleiteando a utilização de diversos enfoques éticos para cada um dos seres ou sistemas que habitam o planeta, encontrando assim uma ética centrada no homem (antropocêntrica), outra centrada nos animais (zoocêntrica) e finalmente uma centrada na vida (biocêntrica). Esta última que adotaremos como eixo de reflexão, a BIOÉTICA.
Em nossa proposta, pretendemos refletir sobre os aspectos éticos da relação homem-animal, discutindo acerca do status moral dos animais, de seus "direitos" e finalmente revisar nossas "responsabilidades" éticas, morais e legais com outras formas de vida que compartilham o ambiente natural e artificial em que vivemos.
Estas reflexões nascem da possibilidade que oferecem as argumentações da bioética para abordar discussões sobre o sentido de nossas ações, decisões e atitudes sobre a vida e os animais. Nascem de uma vivência pessoal de compartilhar sua vida e sua morte, sua saúde e sua enfermidade, de estudar e observar sua conduta. Da insatisfação frente a perguntas e respostas sobre nossas diferenças e similitudes, do uso que damos a eles, e por conseguinte, de ‘ser’, mais que do que ‘fazer’, a Medicina veterinária.
Perguntas assumidas habitualmente por filósofos, escritores, jornalistas, advogados, e em menor proporção por zoólogos e biólogos, quase nunca foram abordadas pelos médicos dos animais, os veterinários.
Esta ausência é provável que tenha sido ocasionada, em grande medida, pela formação universitária de graduação em ciências veterinárias, que valorizam muito mais os aspectos zootécnicos, cirúrgicos, diagnósticos e clínicos do que reflexões filosóficas ou éticas de nosso trabalho. É também provável que seja devido à percepção que temos do animal, máxima quando o objetivo fundamental da profissão é a saúde humana, a sanidade animal e produtividade agropecuárias, em que os animais são considerados "objetos" (seres que se movem).



Sua dimensão de "seres sensíveis" só há poucos anos se vem levando em conta no âmbito profissional. Esta dimensão, seu estudo e sua aplicação se têm dado através da etologia veterinária e do bem estar animal (animal welfare).
É possível que para muitos esta discussão não tenha objetivos, e para eles as argumentações dadas pelos protecionistas ou defensores dos animais careçam de bases sólidas a nível filosófico e moral. E acontece que foi somente após que filósofos conhecidos abordaram a problemática dos animais e a forma com que o tratamos, que se criaram espaços de discussão e análise sobre nossas suposições, de nossas atitudes e do que fazemos frente a outras formas de vida com que compartilhamos a existência neste planeta.
"... cada vez que me tivesse mostrado suficientemente humilde e disposto a permitir que um ser que não era humano me instruísse, este amigo, quer tivesse quatro patas, seis ou nenhuma, compartilhou comigo uma sabedoria que não tem preço. Todos eles me ensinaram que a perfeita compreensão entre o ser humano e outras formas de vida é possível no momento em que o ser humano cumpre realmente o papel que lhe corresponde." (4)
Propomos uma reflexão que tenha em conta as condições que fazem possível a vida, reconhecendo a biodiversidade não só em termos ecológicos e ambientais, mas pela trama dos elementos que a constituem e que fazem possível ver a vida como uma totalidade. Esta rede ou trama em que todos os elementos se encontram entrelaçados em uma dinâmica estrutural de relações, rede que nos permite o substrato sobre o qual podemos construir nosso aporte a reflexão. Reflexão esta que não estará orientada a "humanizar o animal, nem a animalizar o humano", mas sim a propor uma relação harmônica, coerente e madura com as demais espécies.


1. A Relação Homem Animal.

(O que segue agora é uma adaptação de MACROBIOÉTICA - Colección Pedagogía y Bioética. Nº 7; Universidad a distancia. Programa de Bioética; Facultad de Educación; Universidad El Bosque. Bogotá, 1999.)

"A grandeza de uma nação e seu progresso moral se pode julgar de acordo com a maneira com que se trata seus animais"
Mohandas Gandhi

As diversas relações que mantemos com os animais, sejam estes silvestres, domésticos, de companhia, de laboratório, de consumo, de rua, etc. tem permitido uma aproximação com enfoques diferentes: acadêmico, filosófico, ético, jurídico, emocional, romântico, artístico, compassivo, fundamentalista, de saúde, clínico, etológico e comparado, entre outros.
E todo este enfoque tem gerado, por sua vez, posições ideológicas muito definidas, como a protecionista, abolicionista, utilitarista ou indiferente. Discutindo habitualmente temas como a experimentação e vivissecção, o tráfico da fauna silvestre, a posse responsável de mascotes, as populações animais de rua e seu controle, os animais como alimento, os métodos de produção intensiva, as coleções de animais (zoológicos) e os centros de controle de zoonoses. Esta relação que a espécie humana tem estabelecido com outras espécies animais se encontra marcada por momentos históricos e culturais, assim como por fatores ambientais, políticos, econômicos, científicos e sociais. Tornando –se mais estreita e complexa quando como espécie começamos a domesticá-los e a colecioná-los, criando interações que em principio ocorrem em detrimento das necessidades básicas das espécies mantidas em cativeiro ou de domesticidade.
"Atualmente rodeiam o homem uma série de animais domésticos de grande valor econômico ou afetivo, considerados como algo natural, se esquecendo que todos eles não existiam há quinze mil anos e que a maioria não apareceram senão há uns dez mil anos (domesticação). A transição de uma economia de caça a outra na qual se produzem alimentos, ou seja, aonde se têm plantas e animais domesticados, constituí sem dúvida alguma o hábito mais revolucionário e de conseqüências econômicas e sociais mais importantes para o desenvolvimento da humanidade." (6)
No caso das espécies chamadas domesticas ou domesticáveis, se gerou um "contrato de uso". Habitualmente a nível técnico o denominamos exploração pecuária. Este conceito de contrato, referido por D. Morris (1990) como o "contrato animal", pleiteia que existe entre nós e os animais um compromisso, que nos converte em sócios para compartilhar o planeta. A base deste contrato consiste em que cada espécie deve limitar o crescimento de sua população de modo tal que permita a convivência de outras formas de vida. (29)
Sem dúvida no manejo dos animais de produção ou de consumo, os sistemas de "exploração intensiva" descritos por P. Singer (1975) como "a granja-fábrica (la granja-factoría)", são justificados exclusivamente com base no custo-benefício do sistema e como uma opção alimentar para a população humana que necessita
de fontes de proteína animal. Sem contemplar outras implicações diferentes das técnicas, econômicas e de produção.
Por ultimo, não se trata de alegar com estes assuntos que a única opção seja então o vegetarianismo ou veganismo, mas sim de revisar os fundamentos e esquemas conceituais (éticos e morais) que sustentam os sistemas de manejo e utilização dos animais domésticos ou de consumo. Trata-se de olhar se como espécie e cultura, vemos nos animais objetos úteis ou seres sensíveis. E ao perguntarmos desta forma, geram-se de imediato vários dilemas éticos, expressados como:

O Sofrimento Animal.



"Veneramos, mimamos e admiramos alguns animais, enquanto a outros torturamos e destruímos. Talvez uma das razões por que os seres humanos abusam dos animais seja porque não podemos sentir o que eles são, o que é ser um animal." (21)
Através da neurobiologia e da fisiologia animal, temos podido entender os mecanismos que estão por trás da "dor animal", dor esta que varia em sua percepção e expressão de espécie para espécie. Porém ela é, sem dúvida alguma, uma realidade biológica.
Quanto ao sofrimento, constitui um conceito de grande peso, porém de difícil quantificação (medição) em um animal. Ainda que o animal possa comunicar-se (vocalizações, atitudes posturais e faciais, sinais químicos) se pede algo mais objetivo, uma experiência do tipo emocional.
Isto nos oferece um desafio que se tem tentado elucidar a vários séculos: J. Bentham (1748 - 1832) escrevia: "A pergunta não é, quando me interessar pelo bem estar de alguém, se ele ‘pensa ?’ ‘possui capacidade de raciocínio ?’ mas sim ‘sente ?’ ‘tem capacidade de gozar e sentir ?’" (17) . Frente a este dilema prático surge a proposta ética de "Bem Estar Animal", em que os profissionais das ciências veterinárias, em conjunto com governos e ONG's, tem concordado desde a década de sessenta, de implantação de protocolos de medição e controle para obter o dito bem estar nas áreas de produção e manutenção de animais.
Os conhecidos como "as cinco liberdades" (entendidas como necessidades, são alimentação, refúgio, saúde, comportamento e bem estar), o manejo ecológico (entendido como a melhor maneira de aproximar-se, sujeitar e imobilizar um animal) e o enriquecimento ambiental (naquelas espécies que vão ser confinadas, permitir mediante o desenho arquitetónico das instalações, o equipamento e o manejo, que suas necessidades biológicas, teológicas e psicológicas possam ser satisfeitas).

O Conflito de Interesses.
..."O princípio de igual consideração de interesses não permite que os interesses principais sejam sacrificados em prol dos interesses secundários..." (17)
Da mesma maneira que na discussão anterior, estas discussões têm sido abordadas há vários séculos. Assim como o filósofo e economista inglês, John Stuart Mill (1806 - 1873) já propunha:
"Supondo que algum feito cause mais dor aos animais que prazer ao homem, esta prática é moral ou imoral ? E se o homem não contesta imoral com uma só voz, ao mesmo tempo em que sua cabeça emerge de todo egoísmo que a moralidade do princípio de utilidade se condene para sempre." (22)
Este conflito de interesses é a base, o contingente maior, que enfrenta o profissional de ciências veterinárias, quando deve antepor os custos e honorários ao sofrimento dos animais, e proprietários. Tendo, além disso, que tomar a decisão e executar o sacrifício humanitário de seus pacientes (eutanásia), freqüentemente vista como a melhor opção para evitar o sofrimento. Na ética ambiental (macroética) é mais evidente este conflito, onde se pergunta: Constitui a extinção de uma espécie um preço aceitável a pagar pelo aumento das oportunidades de emprego ? Nos propõem uma reflexão filosófica, se devemos incluir em nossas deliberações éticas todas espécies animais, organismos unicelulares, ecossistemas e incluir o conjunto da biosfera.(41)
O claro é que, como propõe R. Elliot (1993): ... "Uma ética centrada na vida exige que na hora de decidir como temos de atuar, tenhamos em conta o impacto de nossas ações sobre todo ser vivo afetado por elas. " (41)



Igualdade e Especificidade ?

"... não há razão para crer que algum animal seja capaz de pensar acerca de seus próprios pensamentos desta maneira, nenhum de seus estados mentais será consciente. Se se aceita esta argumentação, se deduzirá quase imediatamente que os animais não podem nos propor imperativos morais, pois os estados mentais não conscientes não são um objeto adequado de interesse moral. " (21)
Ao assumir que a proposta não busca humanizar o animal e nem animalizar o
humano, se estabelece desde já que nosso objetivo não é discutir acerca do que é similar e do que é distinto entre o homem e os animais. Senão discutir se os argumentos que utilizamos para interagir com eles seguem sendo válidos, a luz dos novos descobrimentos que contribuem a ciência e a tecnologia. Ou se o pensamento filosófico atual deseja adotar novos ou diferentes argumentos acerca dos animais, sobre seu status moral, seus direitos e nossas responsabilidades.
Neste sentido, nossa cultura tem discriminado sua relação de afeto ou utilidade com os animais mais orientado pela moda e por emoções que por aspectos morais e éticos. Da mesma maneira, é evidente ao observar esta relação, que a complexidade das espécies (especificismo), sua aparência – fenótipo, marcam em grande medida a empatia (compaixão) ou antipatia dos seres humanos sobre estas.
Finalmente e sem resposta clara, a pergunta sobre o direito dos animais nos convida a revisar o contexto normativo, jurídico e legal que marca a relação dos animais em cada país e em cada cultura. Estudar a percepção de que os animais têm cada um sua comunidade (etnoveterinária) e contribuir quando seja oportuno e com uma visão bioética para a sugestão de que promova o "respeito por qualquer forma de vida".


2. Direitos dos animais e responsabilidades humanas ?
" O contratualismo não concede aos animais direitos morais diretos, enquanto o outorga a todos seres humanos. (...) porém as limitações que impõe a nossa conduta são mínimas, e é evidente que o contratualismo não presta nenhum apoio a aqueles que desejariam ampliar ainda mais a proteção que se brinda aos animais. " (6)
O enfoque relativista e subjetivo do valor moral dos animais nos apresenta grande dificuldade no momento de realizar comparações e perguntarmos quem pode fazer parte da comunidade moral humana.
Ou ao perguntarmos : Que faz com que um ser vivo seja considerado uma pessoa ? Como é ser um animal ? Experimentam os animais não-humanos algum pensamento ou algum sentimento subjetivo ?
P. Carruthers (1992) em sua "Teoria moral aplicada" contribui com os seguintes elementos de reflexão:

" Se pode dizer que muitos animais têm crenças e desejos. Não obstante, nenhum animal possui as demais qualidades necessárias para ser considerado um agente racional. Concretamente, nenhum animal parece ser capaz de fazer planos a longo prazo, ou de imaginar futuros distintos possíveis. E nenhum animal parece capaz de conceituar normas gerais convencionadas socialmente. Assim, pois, nenhum animal pode ser considerado agente racional, no sentido que nos permitiria outorgar-lhes direitos diretos segundo o contratualismo".
E T. Regan, em seu livro "The case for animal rigths" diz que : " só tem direitos os seres com um valor inerente (...) Só os titulares de uma vida tem um valor inerente..."
Não obstante um número importante de filósofos afirmam que os animais não são agentes morais e que embora seja censurável a crueldade a eles, não seria possível aceitar dar a mesma importância à vida e ao sofrimento dos animais que aos humanos.
Finalmente M. Sánchez (1996) nos oferece uma proposta conciliadora:
"... O respeito aos animais não é incompatível com o respeito aos humanos. Ambos respeitos são parte de um único e mais amplo sentimento de respeito de todos a todos... " (17)
Quanto às responsabilidades aos animais, pode-se enforcar duas dimensões, uma moral e outra prática.
"... Não obstante, pode haver obrigações indiretas para com os animais, motivadas pelo respeito aos interesses legítimos de quem se interessa por eles. "(6)
No sentido moral, é interessante observar como as diferentes tradições religiosas têm proposto diversas relações com o mundo animal. Desde a chamada Maioria Responsável, onde o homem é o rei da criação e o encarregado das demais espécies para seu uso e cuidado, passando pela Irmandade Franciscana de unidade com todos os seres, até a proibição específica e detalhada do consumo de certos animais.



3. O Rol do Veterinário
"É essencial que exista uma distinção clara entre homens e animais, para poder dobrá-los a nossa vontade, conseguir que trabalhem para nós, leva-los, comê-los, sem nenhum sentimento inquietante de culpa ou pena.
Com nossas consciências tranqüilas, podemos extinguir espécies inteiras em nome de um benefício imaginado a curto prazo ou incluso por simples descuido. Sua perda tem pouca importância: estes seres, podemos dizer, não são como nós."(36)
Existe em muitas profissões um código deontológico e um juramento que o profissional recebe e assume no momento de graduar-se. De forma similar possuí uma missão definida a cumprir. No caso dos médicos veterinários colombianos existe um marco de referência recente que tem possibilitado abrir caminho a um desenvolvimento ético da profissão: a lei 576 de 2000 pela qual se resolve o código de Ética para o exercício profissional da medicina veterinária e da zootecnia.
Seria ingênuo pensar que pelo feito da existência da lei ou do marco jurídico do exercício, se poderia garantir o desempenho das pessoas que representam a profissão. Não obstante oferece a possibilidade de criar um âmbito de discussão e aprendizagem coletivo, sobre nossos mínimos éticos de referência. Da mesma maneira, a criação e existência da TRINADEP (Tribunal Nacional de Ética Profissional) que simboliza o órgão de controle sancionador aos infratores destes mínimos éticos. O ideal para mim seria a inclusão de alguns máximos éticos no cotidiano de todos aqueles profissionais relacionados com a área e de todas as pessoas relacionadas com os animais. Que neles existisse a vontade e o interesse de fazer reflexões em torno de uma mesma visão e missão, em torno da cultura do animal que existe em nosso país.
"A medicina veterinária é uma profissão baseada em uma formação científica, técnica e humanística, que tem como fim proporcionar o melhoramento da qualidade de vida do homem, mediante a conservação da saúde animal, o incremento das fontes de alimento de origem animal, a proteção da saúde pública, a conservação do meio ambiente, da biodiversidade, e do desenvolvimento pecuário do país. "
(Lei 576 de 2000 - República de Colombia - Consejo Profesional de Medicina Veterinaria y de Zootecnia de Colombia)


4. Comentário final:
Ao terminar esta curta reflexão, me coloco como membro da espécie humana, cidadão do mundo e médico veterinário colombiano para assumir o compromisso que nos corresponde na conservação da vida em nosso planeta, na preservação e desenvolvimento de nossa cultura . E de maneira fundamental a investigação , aplicação e conformação de princípios éticos que possibilitem a consolidação de uma medicina veterinária mais humana e comprometida com o bem estar humano e animal.
Como citação final, quero compartilhar estas duas:
"Pode chegar o dia em que o resto da criação animal adquira esses direitos que nunca deviam haver sido retirados , senão pela mão da tirania (...)" Pode chegar o dia em que se reconheça que o número de pernas, a vilosidade da pele, ou a terminação do osso sacro sejam por iguais razões insuficientes para abandonar um ser sensitivo a mesma sorte. Que mais existe que deva traçar a linha insuperável ? É a faculdade da razão, ou talvez, a faculdade de discutir ? Porém, pela força da comparação, um cavalo ou um cão adulto são animais muito mais racionais e amistosos que uma criança de um dia, de uma semana, até de um mês. Porém suponhamos que o caso seja o contrário, que importaria ? A questão não é ‘podem raciocinar ?’, e nem ‘podem falar ?’, mas sim ‘podem sofrer ?’ "
[Jeremy Bentham (1748 - 1832; filósofo ingles, economista e jurista) ]

A mensagem dos HUA DE NO SAU NEE ao mundo ocidental (The principles of Morals and Legislation ):
"Os ensinamentos originais nos ordenam que caminhemos sobre a Terra, expressemos um grande respeito, afeto e gratidão a todos os espíritos que criam e mantêm a Vida. Damos uma saudação de agradecimento aos muitos sustentadores de nossos vidas ...Quando as pessoas cessam de respeitar e expressar gratidão por estas muitas coisas, então a vida será destruída e a vida humana deste planeta chegará ao fim.
Nós não somos um povo que demande ou peça coisas ao Criador da Vida, pelo contrário, louvamos e damos graças por todas as forças da Vida que estejam trabalhando. Nós entendemos profundamente nossa relação com todos os seres vivos. E até hoje, os territórios que ainda mantemos, estão povoados de árvores, animais e outros dons da Criação". (1)

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